JURO-Medo global de inflação pressiona taxas na BM&F

quarta-feira, 21 de maio de 2008 16:31 BRT
 

SÃO PAULO, 21 de maio (Reuters) - A maioria das projeções de juros fechou em alta nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com a preocupação global sobre os preços pressionando as taxas em uma sessão de cautela antes do feriado de Corpus Christi.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 subiu de 13,09 por cento para 13,15 por cento, e o DI janeiro de 2010, o mais negociado nesta sessão, avançou de 14,26 por cento para 14,35 por cento.

A prudência dos investidores na véspera do feriado pautou os negócios. "(A alta das projeções) é mais por medo do que alguma outra coisa. É cautela", resumiu Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora. "Quem fica vendido fica desconfortável".

Em um ambiente mais sensível, o principal incômodo voltou a ser a inflação, que nos últimos dias tem mostrado força. Para Rodrigo Ferreira, operador da Alpes Corretora, "o DI vai ficar pressionado até a inflação começar a arrefecer de verdade".

"Existe muito prêmio já na curva de juro, mas não é um prêmio que esteja interessante para o mercado", completou.

A preocupação com os preços esteve presente também no exterior, contribuindo para o pessimismo no mercado brasileiro. A ata da última reunião do Federal Reserve aumentou a projeção para a inflação nos Estados Unidos e indicou que há possibilidade de repasses aos consumidores devido à alta das matérias-primas e à fraqueza do dólar.

O petróleo foi outro ponto de tensão. A alta de mais de 4 dólares em Nova York cravou novo recorde para o barril, agora acima de 130 dólares.

Schoemberger disse que o aumento consistente do petróleo não tem influência direta para a alta dos juros futuros no Brasil, mas contribui para o mau humor dos investidores.

"Não acredito que o pessoal compre DI por causa disso (petróleo), mas implicitamente há essa preocupação", afirmou.

No começo do dia, o Banco Central recolheu 14,608 bilhões de reais dos bancos em uma operação no mercado aberto. Os recursos serão devolvidos na sexta-feira, com remuneração de 11,65 por cento ao ano.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Cláudia Pires)