Investidor da Telecom Italia pressiona por fusão com Telefónica

segunda-feira, 21 de julho de 2008 17:44 BRT
 

MILÃO (Reuters) - Um importante investidor com dois assentos no conselho de administração da Telecom Italia vê "muitas vantagens" para o grupo de telecomunicações numa fusão com um de seus acionistas-chave, a espanhola Telefónica .

"Haveria muitas vantagens... esse é o único caminho para obter sinergias reais entre os dois grupos", disse à Reuters Marco Fossati, presidente de uma holding familiar que detém 4,45 por cento da Telecom Italia.

Fossati afirmou que a família elaborou um plano industrial alternativo para o grupo, que ele pretende apresentar em setembro aos administradores.

O jornal italiano La Repubblica informou no domingo que a família estava tentando pressionar a Telefónica para que fizesse uma oferta de compra do controle da Telecom Italia, mas o governo italiano não permitiria essa fusão.

Os Fossati, que ganharam assentos no conselho em abril, já afirmaram anteriormente que o caminho para a Telecom Italia seria uma fusão com a gigante espanhola.

A Telefónica detém indiretamente algo como 10 por cento do antigo monopólio italiano de telecomunicações, por meio de um acordo fechado em 2007 junto a um consórcio de bancos italianos, depois que o governo de centro-esquerda do país vetou a venda da operadora italiana a investidores estrangeiros.

A Telefónica é a única estrangeira no consórcio Telco, que comprou o controle da holding Olimpia, antes controlada pela Pirelli e que é a maior acionista da Telecom Italia.

A companhia espanhola, cujo valor de mercado é quase quatro vezes o da Telecom Italia (83 bilhões de euros contra 22,4 bilhões) tem descartado a possibilidade de uma oferta. O presidente do conselho, Cesar Alierta, disse no mês passado que a Telefónica não tinha planos imediatos para tal movimento.

No Brasil, a Telefónica controla 50 por cento do capital da Vivo, maior operadora de celular do país em número de assinantes, enquanto a Telecom Italia é dona da TIM, a segunda maior. Por isso, o órgão regulador local (Anatel) impôs um conjunto de 28 restrições para dar seu aval ao negócio italiano, de forma que as empresas mantivessem uma operação totalmente independente no Brasil.

(Por Stefano Rebaudo)