Relações com China e Tibete afetam eleição em Taiwan

sexta-feira, 21 de março de 2008 10:31 BRT
 

Por Ralph Jennings

TAIPÉ (Reuters) - As turbulentas relações de Taiwan com a China e a recente violência no Tibete dominaram as últimas horas da campanha para a eleição presidencial de sábado na ilha, em que ambas as partes tentam se apresentar como a mais qualificada para enfrentar Pequim.

Frank Hsieh, do governista Partido Democrático Progressista, aparece atrás nas pesquisas, mas vem dizendo ao eleitorado que votar em Ma Ying-jeou, do Partido Nacionalista, mais amistoso com a China, seria transformar Taiwan em "um segundo Tibete".

Taiwan foi o refúgio dos nacionalistas derrotados na guerra civil chinesa, em 1949. Pequim considera a ilha parte do seu território, uma "província rebelde", e promete recuperá-la mesmo que tenha de usar a força. A China também ocupa o Tibete, cenário de violentos protestos há uma semana, desde 1950.

"Trata-se de uma escolha entre uma Taiwan democrática e uma China comunista", advertiu anúncio publicado pelo partido PDP na sexta-feira, conclamando os eleitores a "defenderem Taiwan".

Para não ficar atrás, Ma criticou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, por oferecer negociações de paz nesta semana -- idéia que ele considerou "arrogante, absurda e presunçosa".

Ma foi também o primeiro a sugerir um boicote à Olimpíada de Pequim caso a violência no Tibete continue, mas discordou que a ilha possa se tornar um novo Tibete.

"Acho que ambos tentam apresentar a imagem de que são duros com a China", disse Alexander Huang, professor de Estudos Estratégicos da Universidade Tamkang, em Taiwan. "Meu pressentimento é de que ambos os lados serão duríssimos com a China."

Ambos os candidatos participaram de vigílias à luz de velas com monges budistas e imigrantes tibetanos, em homenagem aos mortos na repressão aos protestos iniciados em 10 de março em regiões chinesas de população tibetana.   Continuação...

 
<p>Apoiadores do candidato governista &agrave; presid&ecirc;ncia de Taiwan exibem bandeiras em 21 de mar&ccedil;o de 2008. As turbulentas rela&ccedil;&otilde;es de Taiwan com a China e a recente viol&ecirc;ncia no Tibete dominaram as &uacute;ltimas horas da campanha. Photo by Russell Boyce</p>