21 de Março de 2008 / às 13:29 / 9 anos atrás

Relações com China e Tibete afetam eleição em Taiwan

<p>Apoiadores do candidato governista &agrave; presid&ecirc;ncia de Taiwan exibem bandeiras em 21 de mar&ccedil;o de 2008. As turbulentas rela&ccedil;&otilde;es de Taiwan com a China e a recente viol&ecirc;ncia no Tibete dominaram as &uacute;ltimas horas da campanha. Photo by Russell Boyce</p>

Por Ralph Jennings

TAIPÉ (Reuters) - As turbulentas relações de Taiwan com a China e a recente violência no Tibete dominaram as últimas horas da campanha para a eleição presidencial de sábado na ilha, em que ambas as partes tentam se apresentar como a mais qualificada para enfrentar Pequim.

Frank Hsieh, do governista Partido Democrático Progressista, aparece atrás nas pesquisas, mas vem dizendo ao eleitorado que votar em Ma Ying-jeou, do Partido Nacionalista, mais amistoso com a China, seria transformar Taiwan em "um segundo Tibete".

Taiwan foi o refúgio dos nacionalistas derrotados na guerra civil chinesa, em 1949. Pequim considera a ilha parte do seu território, uma "província rebelde", e promete recuperá-la mesmo que tenha de usar a força. A China também ocupa o Tibete, cenário de violentos protestos há uma semana, desde 1950.

"Trata-se de uma escolha entre uma Taiwan democrática e uma China comunista", advertiu anúncio publicado pelo partido PDP na sexta-feira, conclamando os eleitores a "defenderem Taiwan".

Para não ficar atrás, Ma criticou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, por oferecer negociações de paz nesta semana -- idéia que ele considerou "arrogante, absurda e presunçosa".

Ma foi também o primeiro a sugerir um boicote à Olimpíada de Pequim caso a violência no Tibete continue, mas discordou que a ilha possa se tornar um novo Tibete.

"Acho que ambos tentam apresentar a imagem de que são duros com a China", disse Alexander Huang, professor de Estudos Estratégicos da Universidade Tamkang, em Taiwan. "Meu pressentimento é de que ambos os lados serão duríssimos com a China."

Ambos os candidatos participaram de vigílias à luz de velas com monges budistas e imigrantes tibetanos, em homenagem aos mortos na repressão aos protestos iniciados em 10 de março em regiões chinesas de população tibetana.

Mas o partido de Ma é favorável à eventual reunificação da China, enquanto o de Hsieh defende a independência. Na TV, Hsieh exibe um desenho animado, ironizando a proposta de Ma, em que trabalhadores chineses e alimentos envenenados invadem a ilha.

"O que Wen Jiabao diz e o que Ma diz são quase a mesma coisa, certo?", afirmou Hsieh numa entrevista coletiva na quinta-feira. "É que Taiwan é parte da China."

Dois porta-aviões dos EUA foram enviados para fazer exercícios na região de Taiwan durante a eleição. A China disparou mísseis no estreito de Taiwan em 1996, na tentativa de intimidar os eleitores daquela época. Os EUA reconhecem diplomaticamente a China, mas são os maiores aliados de Taiwan.

"Espero que os porta-aviões estejam aqui para passar a Pequim o recado de que as pessoas que querem eleições livres não serão ameaçadas ou intimidadas por forças externas", disse a parlamentar norte-americana Dana Rohrabacher a jornalistas durante visita a Taipé.

Na quarta-feira, a Rússia qualificou como "travessura política" a proposta de realizar um referendo sobre se Taiwan deve solicitar uma vaga na ONU, inclusive abandonando seu nome formal "República da China".

China, Japão, França e Estados Unidos também protestaram contra a idéia, que será certamente infrutífera, pois Pequim tem poder de veto no Conselho de Segurança quanto a novas adesões.

Segundo as pesquisas, Ma está 5 a 10 pontos percentuais à frente de Hsieh. "Vai ser apertado, mas não acho que Hsieh tenha feito o suficiente para vencer", disse Bruce Jacobs, professor de Estudos Asiáticos da Universidade Monash, na Austrália. "Não acho que o Tibete possa mudar votos."

Ambos os candidatos são favoráveis a estabelecer vôos diretos regulares para a China continental, estimular o turismo e facilitar investimentos chineses, o que poderia ajudar uma economia local afetada pela inflação e a estagnação dos salários.

Mas as relações comerciais com a China aumentaram significativamente nas duas últimas décadas, e empresas taiwanesas já investem 100 bilhões de dólares no outro lado.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below