21 de Março de 2008 / às 15:15 / 10 anos atrás

Rice pede desculpas a Obama por acesso indevido a passaporte

<p>A secret&aacute;ria de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, telefonou ao senador Barack Obama para pedir desculpas pelo fato de tr&ecirc;s funcion&aacute;rios terceirizados de seu departamento terem acessado registros do passaporte dele de maneira indevida. Photo by Peter Jones</p>

WASHINGTON (Reuters) - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, informou na sexta-feira que telefonou ao senador norte-americano Barack Obama para pedir desculpas pelo fato de três funcionários terceirizados de seu departamento terem acessado registros do passaporte dele de maneira indevida.

“Eu disse a ele que sinto muito e eu disse a ele que eu mesma me sentiria muito perturbada se eu descobrisse que alguém olhou meus registros de passaporte”, disse Rice a jornalistas no início de uma reunião com o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim.

Funcionários terceirizados do departamento de Estado tiveram acesso irregular aos dados do passaporte Obama em três ocasiões neste ano, no que a campanha presidencial dele afirmou ser uma “ultrajante violação” de sua privacidade.

O departamento afirmou que sua avaliação inicial foi de que três funcionários, de áreas diferentes, olharam os registros por “curiosidade imprudente”, e não por motivação política. Mesmo assim, o departamento determinou uma investigação.

Os incidentes ocorreram em 9 de janeiro, 21 de fevereiro e 14 de março. Foram rapidamente informados a funcionários de baixo escalão, mas só chegaram ao conhecimento da cúpula por iniciativa de um repórter que contou o caso na quinta-feira por email ao porta-voz Sean McCormack.

Dois dos três funcionários terceirizados foram demitidos logo depois da descoberta das violações, enquanto o terceiro sofreu sanções administrativas, mas manteve o emprego.

“Trata-se de uma ultrajante violação da segurança e da privacidade, mesmo vindo de um governo que demonstra tão pouco respeito por ambos nos últimos oito anos”, disse Bill Burton, porta-voz da campanha de Obama. “O dever do nosso governo é proteger a informação privada do povo norte-americano, não usá-la para propósitos políticos”, acrescentou o porta-voz, exigindo que os responsáveis sejam apresentados.

Obama soube dos incidentes na quinta-feira, e seus assessores vão receber informações mais detalhadas do subsecretário de Estado, Pat Kennedy, nesta sexta-feira.

Um porta-voz de Hillary Clinton, adversária de Obama na disputa pela indicação democrata às eleições presidenciais de novembro, disse que “se for verdade, (a violação dos dados) é repreensível, e o governo Bush tem a responsabilidade de ir até o fundo disso”.

Em 1992, funcionários do Departamento de Estado provocaram polêmica ao vasculhar dados do passaporte e outros documentos do então candidato a presidente Bill Clinton.

Na época, republicanos lançavam suspeitas sobre Clinton, marido de Hillary, por seu envolvimento em manifestações contra a guerra do Vietnã, em 1969, e por uma viagem a Moscou na mesma época. Uma investigação concluiu que os funcionários agiram mal, mas não violaram leis.

Autoridades dos EUA disseram ter pedido ao inspetor-geral do Departamento de Estado que investigue como e por que os arquivos sobre Obama foram acessados e o que foi feito com a informação.

O subsecretário Kennedy disse a jornalistas que possivelmente foram examinadas solicitações de passaporte feitas por Obama. Ao pedir o documento, o solicitante precisa apresentar informações como número da seguridade social, data de nascimento, endereço, telefone e nome de parentes.

Autoridades disseram que o sistema de informática avisa quando dados de pessoas importantes são acessados, e que nesses casos a pessoa que acessou é questionada sobre os motivos.

(Reportagem de Arshad Mohammed, JoAnne Allen, Jeff Mason, Patsy Wilson e Matthew Bigg)

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