February 21, 2008 / 7:37 PM / 9 years ago

ATUALIZA2-Brasil passa a ser credor externo em janeiro

4 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com comentários do presidente do Banco Central e do ministro da Fazenda)

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 21 de fevereiro (Reuters) - O Banco Central estima que o Brasil tenha passado a credor externo líquido em janeiro, quando os ativos do país no exterior devem ter superado os passivos em 4 bilhões de dólares.

A projeção consta de relatório divulgado nesta quinta-feira pelo BC ressaltando a evolução recente dos indicadores de sustentabilidade externa do país. O resultado das contas externas de janeiro será divulgado na próxima semana.

"Este feito é resultado direto da implementação, nos últimos anos, de políticas macroeconômicas responsáveis e consistentes, baseadas no tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas para a inflação", comentou o presidente do BC, Henrique Meirelles, por meio de nota.

"O Banco Central continuará pautando sua atuação de forma a que os ganhos recentes da economia sejam mantidos e aprofundados."

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o fato de o Brasil ser agora credor externo facilitará a obtenção da classificação grau de investimento pelas agências de rating.

"Esses dados nos aproximam do investment grade", afirmou o ministro a jornalistas. "Essa situação veio para ficar, vamos aumentar mais as nossas reservas e chegar próximo dos demais emergentes."

A dívida externa líquida somava 165,2 bilhões de dólares no final de 2003. Ao longo dos últimos quatro anos, esse montante caiu progressivamente como resultado do fortalecimento expressivo das reservas internacionais e do programa de recompra da dívida externa e de antecipação de pagamentos.

Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110 por cento e chegaram a 180,3 bilhões de dólares no final de dezembro. A recompra de papéis da dívida externa no mercado secundário somou 5,4 bilhões de dólares.

Custo Menor Nos Financiamentos

Para o Tesouro Nacional, o fato de o Brasil ser credor externo líquido deve contribuir para uma redução de seu custo de financiamento.

"A gente sabe que os investidores dão valor a esse número, entre outros de sustentabilidade externa. As agências de risco dão valor a esse número", afirmou a jornalistas o coordenador de Planejamento Estratégido da Dívida Pública, Rodrigo Cabral.

"Então é um número que certamente, contribuindo para essa contínua melhora da credibilidade do país, acaba contribuindo também para uma redução dos custos de financiamento e para a facilidade de buscar as composições desejadas que a gente quer para o longo prazo."

O BC destacou, em seu relatório, a importância de o país ter consolidado uma melhora nos seus indicadores externos dada a instabilidade recente dos mercados.

"Diante de um cenário internacional por aumento considerável na incerteza, pela volatilidade dos mercados financeiros e desaceleração da atividade econômica, a melhoria desses indicadores tende a mitigar, embora sem anular por completo, o impacto de eventos externos adversos."

Edição de Daniela Machado

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