CÂMBIO-Maior cautela no exterior impulsiona dólar no Brasil

quarta-feira, 21 de novembro de 2007 10:44 BRST
 

SÃO PAULO, 21 de novembro (Reuters) - A turbulência nos mercados internacionais voltava a pressionar o dólar nesta quarta-feira e a moeda norte-americana subia cerca de 1 por cento na volta às operações normais após o feriado em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Às 10h43, a divisa BRBY tinha alta de 0,96 por cento, a 1,784 real. Na máxima, o dólar atingiu 1,786 real, maior nível em quase 1 mês.

O mercado de câmbio retomava o funcionamento normal após o Dia da Consciência Negra, que parou os dois principais centros financeiros do país. E, em meio ao feriado, foi divulgada a ata da última reunião do Federal Reserve, que reduziu os juros norte-americanos em 0,25 ponto percentual em outubro.

O documento mostrou uma decisão apertada sobre os juros e aumentou a preocupação do mercado com o crescimento econômico dos Estados Unidos em meio à crise imobiliária e à alta recorde do petróleo, que pode impulsionar a inflação.

"A gente vai acompanhar o cenário externo", disse Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez. "Hoje promete uma volatilidade forte nas bolsas lá fora... A queda nas asiáticas foi muito forte, cerca de 3 por cento."

As bolsas européias também sentiam o baque, com baixa de quase 2 por cento no principal índice da região. O dólar mantinha a tendência de queda ante outras moedas fortes, como o euro, e os futuros em Wall Street também cediam.

Em meio ao cenário conturbado, os mercados emergentes sofriam com o aumento da aversão a risco, com um desmonte de operações de arbitragem. Nesse tipo de operação, o investidor toma recursos em países com ativos de baixo rendimento, como o Japão, e aplica em mercados com retorno mais atrativo.

No caso brasileiro, porém, o efeito era minimizado pela avaliação estrangeira favorável. "(Uma eventual saída de recursos) é para cobrir posição lá fora. Os investidores continuam vendo o mercado brasileiro bem, principalmente o de ações... Existe uma expectativa de entrada de dinheiro", explicou Carvalho.

Segundo o gerente, essa sessão deve ser mais volátil porque, na quinta-feira, o mercado norte-americano pára em comemoração ao Dia de Ação de Graças.

Na terça-feira, durante o feriado da Consciência Negra em parte do Brasil, o mercado registrou um volume baixíssimo de negócios. A última operação realizada teve o dólar cotado a 1,762 real.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Alberto Alerigi Jr.)