October 23, 2007 / 4:19 AM / 10 years ago

Brasil pode ter oferta apertada de álcool no início de 2008

3 Min, DE LEITURA

Por Inaê Riveras

SÃO PAULO, 22 de outubro (Reuters) - O Brasil pode ter problemas na oferta de álcool no início de 2008 se os preços do combustível não subirem para reduzir a forte demanda atual, disseram especialistas nesta segunda-feira.

O consumo local de álcool deverá atingir um volume recorde neste ano devido aos preços menores em relação aos da gasolina e ao aumento da frota de veículos flex.

"O Brasil bate recorde de produção e consumo, e depois tem crise de abastecimento, não por oferta mas por preço, por falha de comercialização", disse Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), durante seminário promovido pela consultoria Datagro.

Analistas dizem que os preços do álcool estão abaixo do custo de produção desde junho, em cerca de 580-590 reais por metro cúbico. O custo de produção atual é estimado em 670-720 reais no centro-sul.

"A safra (equilíbrio entre oferta e demanda) só vai fechar se tiver aumento de preço, de 25 a 30 por cento a partir da segunda quinzena de novembro, e ele ficar neste nível", afirmou Plinio Nastari, presidente da Datagro.

A consultoria estima um estoque de apenas 254 milhões de litros no pico da entressafra, em maio de 2008, volume equivalente a cinco dias de consumo.

O número é cerca de 100 milhões de litros acima do verificado em igual período do ano passado, mas a demanda era bem menor então.

Atualmente, o consumo local está próximo de 1,3 bilhão de litros por mês e Nastari acredita que pode atingir 1,5 ou 1,6 bilhão de litros em dezembro ou janeiro de 2008.

Em abril desse ano, por exemplo, o consumo estava em 1,1 bilhão de litros.

"Acho prematuro falar em crise de abastecimento, mas a situação precisa ser acompanhada", afirmou ele, sugerindo que o governo retome leilões de compra de álcool que eram realizados no passado.

Pádua defendeu contratos de longo prazo com distribuidores, que atualmente compram apenas no mercado spot.

"Não vejo maneira de reduzir a volatilidade sem algum mecanismo regulador", disse ele.

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