November 22, 2007 / 7:37 PM / 10 years ago

Denúncia contra Azeredo contamina congresso do PSDB

4 Min, DE LEITURA

Por Carmen Munari

BRASÍLIA (Reuters) - A denúncia contra o senador tucano e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, por suposto envolvimento no chamado mensalão mineiro, contaminou o Congresso Nacional do PSDB, no qual o partido apresentará o seu novo programa político.

Ao invés de falar dos projetos do partido, os tucanos tiveram que responder sobre a denúncia contra Azeredo, apresentada nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por suposta participação em esquema de caixa 2 durante campanha eleitoral ao governo de Minas Gerais em 1998.

O esquema irregular de financiamento da campanha à reeleição de Azeredo teria sido intermediado pela SMP&B, agência do publicitário Marcos Valério, o que foi identificado como a gênese do mensalão repetido no governo federal pelo PT.

Os tucanos rejeitaram coincidência entre a denúncia contra Azeredo e o dia de abertura de seu congresso e deram um voto de confiança a Antonio Fernando de Souza, também autor da denúncia contra o mensalão do PT.

"Confio plenamente na isenção e na honradez do procurador-geral da República. Ele pode, como todo ser humano, errar e acertar, mas ele erra e acerta sempre de boa fé", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

"CULPA NO CARTÓRIO"

Enquanto a maioria dos tucanos saiu em defesa da inocência de Azeredo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foi tão enfático e disse que o ex-governador tem que responder por seus atos.

"Quem tem culpa no cartório, paga...Se houver culpa, o que vai fazer? Que assuma a responsabilidade", disse Fernando Henrique ao chegar ao congresso do PSDB.

Fernando Henrique, no entanto, rejeitou comparação entre o valerioduto mineiro e o mensalão petista.

"Mensalão é outra coisa" reagiu. "É o que o presidente Lula fez, e que consiste em gente receber dinheiro para ficar com o governo. Em Minas, é financiamento de campanha, que também é grave", ressaltou.

O senador Sérgio Guerra (PE), que será conduzido à presidência do PSDB na sexta-feira, espera que Azeredo prove que não tinha envolvimento com o caso.

"Acredito na inocência do senador e na palavra dele. Ele foi levado a se defender de forma concreta e absoluta e espero que o faça com muito sucesso."

O atual presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), disse desconhecer a denúncia da procuradoria. "A denúncia foi feita hoje (quinta-feira), mas acredito que (Azeredo) terá todas as condições para se defender", afirmou.

O ex-candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que o partido vai aguardar o teor da denúncia do procurador.

"Certamente, o senador Eduardo Azeredo vai prestar todos os esclarecimentos. Não temos a menor dúvida que o senador não teve benefícios de natureza pessoal", disse Alckmin.

O senador Azeredo divulgou nota descartando a existência de mensalão em Minas Gerais e disse que a representação será oportunidade para provar a sua inocência.

"As questões financeiras envolvendo a campanha eleitoral de 1998 não foram de minha responsabilidade", afirma a nota.

A denúncia também atingiu o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que decidiu pedir afastamento temporário do governo para se defender.

Edição de Mair Pena Neto

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