Novo ciclo bovino deve apertar margens de frigoríficos do Brasil

sexta-feira, 23 de novembro de 2007 14:31 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 23 de novembro (Reuters) - Após um ciclo de "vacas gordas", com o preço da matéria-prima em níveis historicamente baixos, os frigoríficos de carne bovina do Brasil começam a enfrentar um novo período de alta da arroba do boi gordo, que deve reduzir suas margens operacionais e poderia até diminuir o apetite exportador do país, disseram analistas.

Os especialistas observam que o principal custo dos frigoríficos, que em níveis baixos fez do Brasil o maior exportador mundial de carne bovina, agora deve manter uma tendência de alta até pelo menos 2010, tempo para a oferta de animais se recuperar.

"Os frigoríficos passaram por um período longo, muito favorável, do final de 2004 até agora, em que a arroba do boi esteve a preços historicamente baixos", salientou o diretor da consultoria FNP, José Vicente Ferraz, lembrando que isso permitiu um grande aumento das margens operacionais do setor e foi um dos fatores de sua internacionalização e profissionalização.

Nesse período, com valores pouco compensadores para pecuaristas, mesmo o abate de fêmeas foi intenso, e isso está se refletindo no momento, com a menor oferta de bezerros.

O ciclo de alta deve ocorrer, segundo analistas, porque terá de acontecer um movimento inverso, de retenção de vacas, o que reduz ainda mais a disponibilidade de bovinos para abate.

"Para que nasçam mais bezerros, leva dois anos no mínimo... Acredito que as empresas vão ter redução de margem", disse Ferraz, observando que sua análise ainda leva em consideração "um ganho muito grande de produtividade, com redução na idade média dos animais para abate via confinamento".

Em um tradicional período de entressafra, com a diminuição da oferta de animais criados a pasto por causa da seca, a arroba do boi gordo em São Paulo, referência para o país, está sendo negociada a cerca de 75 reais, livre de impostos, com alta de mais de 30 por cento em relação ao valor de janeiro, de acordo com a Scot Consultoria.

O atual patamar, diz a Scot, é o mais elevado desde o início do Plano Real, em 1994 (valor nominal).   Continuação...