Seis devem disputar Presidência russa; ex-dissidente fica fora

sábado, 22 de dezembro de 2007 16:38 BRST
 

Por Gleb Bryanski

MOSCOU (Reuters) - As autoridades eleitorais da Rússia reduziram neste sábado para seis o número de candidatos às eleições presidenciais de 2008, rejeitando a inscrição do ex-dissidente soviético Vladimir Bukovsky porque ele também possui nacionalidade britânica.

Os russos vão às urnas em março para eleger o sucessor do presidente Vladimir Putin, que já indicou seu candidato preferido, seu aliado Dmitry Medvedev. O apoio de Putin torna a eleição de Medvedev praticamente certa.

A Comissão Central Eleitoral rejeitou as inscrições de sete candidatos independentes, incluindo Bukovsky, que passou 13 anos entrando e saindo de campos de trabalho forçado na era soviética e foi trocado pelo político chileno Luís Corvalán em 1976. Desde essa data ele tem vivido na Grã-Bretanha.

"Na opinião da Comissão, Bukovsky tem permissão de residência em outro país. Acima de tudo, ele não tem vivido em território russo nos últimos dez anos", disse à Reuters o secretário da comissão, Nikolai Konkin.

A comissão aceitou a inscrição do ex-primeiro-ministro Mikhail Kasyanov, um dos mais francos críticos de Putin.

Kasyanov, o liberal Boris Nemtsov -- cujo partido, a União das Forças de Direita, não conseguiu nenhuma cadeira nas eleições parlamentares deste mês --, e o candidato independente Andrei Bogdanov têm prazo até 16 de janeiro para recolher 2 milhões de assinaturas cada em todo o país.

Medvedev, o líder comunista Guennady Zyuganov e o nacionalista Vladimir Jirinovsky, que contam com o apoio de seus partidos, não precisam recolher assinaturas e provavelmente obterão o registro de suas candidaturas na semana que vem.

Bukovsky, que procurou consultoria sobre seus direitos legais para concorrer à Presidência, disse que vai contestar o que classificou como "decisão politicamente motivada da Justiça".

"Esta decisão é obviamente política. Tudo neste país é político. Vamos apelar desta decisão na Suprema Corte", disse Bukovsky por telefone à Reuters, falando da Grã-Bretanha.

As relações britânico-russas mergulharam no seu pior nível desde a Guerra Fria depois do envenenamento, em Londres, no ano passado, de Alexander Litvinenko, um ex-funcionário da inteligência russa e também cidadão britânico.