COLUNA-Brasil marcha, mas bonança dependerá da vigília do BC

segunda-feira, 22 de outubro de 2007 07:44 BRST
 

Por Angela Bittencourt

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil não deve reprisar 2004, mas se prepara para exibir em 2007 a segunda melhor taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do governo Lula.

Em 2004, o país cresceu 5,7 por cento. Em 2007, poderá crescer 5 por cento.

Essa marca, alardeada pela área econômica desde o ano passado, já foi abraçada pelo mercado, que espera, contudo, que o Banco Central assegure a forte expansão em condições adequadas --inexistentes três anos atrás.

O salto da economia em 2004 pressionou a inflação e levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a puxar o juro básico sucessivas vezes.

A Selic, de 16,50 por cento em janeiro de 2004, foi alçada até 19,75 por cento em 2005, quando, em setembro, o Copom deflagrou um ciclo de cortes interrompido apenas na última quarta-feira --com o juro instalado em 11,25 por cento ao ano.

O aperto monetário provocou estrago no nível de atividade. Em contrapartida, a inflação caiu a menos da metade do que era, aumentando a previsibilidade de outros indicadores macroeconômicos e impulsionando a confiança de empresários e consumidores.

A reação do BC a uma expansão de atividade sem sustentação, evidenciada no segundo ano do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi lembrada quando o Copom decidiu colocar o pé no freio há menos de uma semana.

"O papel do BC é tão relevante neste momento que, apesar da carregada agenda de indicadores que serão divulgados nos próximos dias, o que realmente importa é a ata do Copom", afirma Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora.   Continuação...