Com fluxo, dólar segue descolado do cenário externo e cai 0,48%

terça-feira, 22 de abril de 2008 16:39 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a fechar em queda nesta terça-feira se descolando dos movimentos externos e seguindo o fluxo de entrada da divisa impulsionado pelas operações de arbitragem.

A moeda norte-americana caiu 0,48 por cento, a 1,661 real. Com 13 baixas em quinze sessões, o dólar já acumula desvalorização de 5,25 por cento em abril.

Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, o mercado cambial continua mudando suas posições, desmontado suas posições compradas --que apostam em uma alta da divisa norte-americana-- passando a posições vendida.

Segundo dados da BM&F, os investidores estrangeiros mantinham no início do mês mais de 4 bilhões de dólares em posições compradas, enquanto que no dia 18 estes possuiam 1,3 bilhão de dólares em posições vendidas.

"Como o nosso mercado de juro voltou a ser o mais atraente do mundo, vai aumentar a entrada (de dólares)", disse Arruda.

A alta da Selic na última reunião do Comitê de Política Monetária elevou ainda mais o diferencial entre as taxas de juros praticadas interna externamente, o que favorece as operações de arbitragem.

Segundo um player do mercado, que preferiu não ser identificado, nesta terça-feira, o dólar foi pressionado por uma operação de entrada de grande porte de um rede varejista.

Não era só o real que ia na contramão dos mercados internacionais. A Bovespa operava em alta apesar de os principais índices acionários norte-americanos estarem caindo em torno de 1 por cento, e o risco Brasil caía 3 pontos-básicos.

Os investidores seguem atentos aos números de inflação para operar em cima das expectativas sobre o próximo movimento do Banco Central. Nesta manhã, o BC divulgou que o mercado elevou, pela quarta semana consecutiva, o prognóstico para a inflação neste ano e manteve sua estimativa para a Selic.

No início da última hora de negócios, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu a taxa de corte a 1,6575 real.

(Por Fabio Gehrke; edição de Alexandre Caverni)