Brasil paga a Paraguai preço justo por energia de Itaipu--Lobão

terça-feira, 22 de abril de 2008 18:57 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério de Minas e Energia entende que o preço pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia gerada em Itaipu é justo e não deve ser, a princípio, revisado, disse nesta terça-feira o ministro Edison Lobão.

Lobão admitiu, no entanto, que, caso haja uma determinação contrária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a posição do ministério poderá ser revista.

"O Brasil não pretende ver o Tratado (de Itaipu) alterado e, a princípio, não tem porque concordar com a revisão de tarifa", disse Lobão em entrevista coletiva convocada por sua assessoria.

Segundo o ministro, o Brasil paga hoje ao Paraguai 45,31 dólares por MWH pela energia que o país vizinho teria direito de consumir e não o faz.

"Eu posso dizer que essa é uma tarifa justa, é a tarifa que se pratica no mercado brasileiro", afirmou Lobão. Como exemplo, ele disse que a energia gerada pela usina de Santo Antônio, recém licitada, custará 78 reais o MWH.

Caso o Brasil aceitasse pagar mais ao Paraguai, haveria "prejuízo ao consumidor brasileiro", acrescentou Lobão.

O ministro admitiu, no entanto, que a palavra final sobre o assunto será do presidente Lula, com quem ele ainda não discutiu o assunto.

"Quem responde pelo Brasil é o presidente Lula. Eu falo como ministro, e dizendo que o pensamento do ministério é este. Se, por qualquer razão que seja, o presidente Lula quisesse modificar o pensamento do ministro, ele o faria com a autoridade que tem", disse.

Segundo Lobão, o Brasil está disposto a examinar com todo o cuidado as reivindicações do Paraguai, mas até agora não recebeu nenhum comunicado formal do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que defende a revisão do Tratado que criou a usina binacional.