Oferta da BHP pela Rio pode gerar debate sobre concorrência

sexta-feira, 22 de agosto de 2008 08:58 BRT
 

Por James Regan

SIDNEY, 22 de agosto (Reuters) - A oferta de 128 bilhões de dólares feita pela gigante da mineração BHP Billiton (BHP.AX: Cotações) (BLT.L: Cotações) para comprar a rival Rio Tinto (RIO.AX: Cotações) (RIO.L: Cotações) pode levantar problemas de concorrência no setor de minério de ferro, disse a agência de regulação antitruste da Austrália na sexta-feira.

Com minas por toda a região de Pilbara, a mais rica em minério da Austrália, a Rio Tinto e a BHP são a segunda e a terceira maiores produtoras mundiais de minério de ferro, respectivamente, atrás da Vale (VALE5.SA: Cotações) (RIO.N: Cotações).

Analistas consideram que a combinação de BHP e Rio Tinto controlaria cerca de 35 por cento de todo o comércio de minério de ferro no mundo.

Em um comunicado de nove páginas, divulgado antes de sua decisão prevista para 1o de outubro, a comissão australiana de concorrência e consumo (ACCC, na sigla em inglês), a qual pode pedir às companhias para vender ativos se considerar que elas possuem uma porção muito grande de determinado setor, enfatizou o possível impacto do negócio sobre o comércio de minério de ferro e, em particular, sobre os produtores de aço da Austrália, mas não apontou maiores problemas em setores como cobre, ouro, urânio, bauxita ou alumina.

"Eu não acredito que isso seja uma supresa para as companhias, particularmente para a BHP... que a mineração de ferro é uma área que os reguladores estariam vigiando bem de perto", disse Ken West, membro da Perennial Growth Management.

"Mas Pilbara é aquela (região) com a qual eles não querem mexer. Se os reguladores não mostrarem flexibilidade, aí Pilbara poderia se tornar a causa do rompimento do negócio", disse West.

A Comissão Européia abriu no último mês uma investigação profunda sobre a proposta de 3,4 ações da BHP por cada ação da Rio Tinto --a qual a Rio insiste que é muito baixa-- com uma vasta lista de preocupações sobre preços e concorrência em áreas como minério de ferro a alumínio.

Reguladores nos Estados unidos, onde a proposta de negócio teria menos impacto no mercado, aprovaram a oferta no mês passado. A União Européia dever dar sua decisão em 9 de dezembro.