Oposição diz apoiar MP contra crise mas quer ampliar garantias

quarta-feira, 22 de outubro de 2008 14:33 BRST
 

BRASÍLIA, 22 de outubro (Reuters) - A oposição decidiu apoiar, inicialmente, as medidas anunciadas nesta quarta-feira pelo governo, mas admitiu que pode atuar no Congresso para elevar o nível de garantias nas operações de aquisição de bancos privados por estatais.

"Se o melhor caminho é este, vamos lá, mas queremos uma discussão mais abrangente e verdadeira com o governo. Queremos discutir as questões das garantias a essas operações", disse à Reuters o deputado José Aníbal (PSDB-SP), líder da bancada.

Pegou mal no Parlamento o fato de o Executivo ter editado a medida provisória 443 nesta manhã depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, terem, na véspera, passado a tarde na Câmara sem antecipar a MP.

"Medidas necessárias a gente apóia, só não podemos ser pegos de surpresa e saber das coisas pelos jornais. O Congresso Nacional tem o direito de ser informado e o governo o dever de informar", acrescentou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O deputado Paulo Renato (PSDB-SP) vai nesta tarde à Procuradoria-Geral da República pedir fiscalização da 443, já que empreiteiras e bancos são tradicionais financiadores de campanhas políticas.

De acordo com a MP, bancos estatais poderão adquirir instituições financeiras privados. A Caixa Econômica Federal também poderá comprar participação acionária de empresas do setor de construção civil.

"Se a intervenção for para garantir os rendimentos de milhões de brasileiros, nada a opor. Agora, salvar empreiteira não faz sentido", acrescentou Demóstenes.

O governo quer evitar que problemas políticos impeçam a aprovação das medidas de combate à crise e apela para a ajuda dos partidos de oposição.

"O governo não disse que vai salvar A ou B, precisa apenas ter um mecanismo para fazê-lo se achar necessário", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB).

"Não é uma MP para livrar maus gestores. São dois setores muito importantes para o país, o governo pode não atuar, mas o mecanismo (de salvamento) precisa ser assegurado", acrescentou.

(Reportagem de Natuza Nery, Edição de Mair Pena Neto)