PRÉVIA-Níquel e câmbio devem afetar lucro da VALE

quarta-feira, 22 de outubro de 2008 17:40 BRST
 

 Por Denise Luna
 RIO DE JANEIRO, 22 de outubro (Reuters) - A queda do preço
do níquel, que já havia abatido o lucro da Vale no segundo
trimestre deste ano, deve ofuscar no terceiro trimestre as
vendas ainda elevadas de minério de ferro, avaliaram analistas,
que apesar disso projetam um bom lucro para a mineradora
brasileira que divulga dados trimestrais na quinta-feira.
 Na média de cinco analistas ouvidos pela Reuters, em uma
faixa de lucro líquido que vai de 2,7 a 6,1 bilhões de reais, a
Vale (VALE5.SA: Cotações) teria registrado no terceiro trimestre lucro de
4,6 bilhões de reais, estável ante os mesmos 4,6 bilhões de
reais no trimestre anterior.
 Curiosamente, no terceiro trimestre do ano passado a Vale
também registrou lucro líquido de 4,6 bilhões de reais.
 O níquel, que passou a dividir com o minério o peso na
receita da Vale desde a compra da canadense Inco, em 2006,
chegou a atingir preço recorde de 50 mil dólares a tonelada em
maio e hoje é negociado em torno dos 13 mil dólares. Já no
segundo trimestre, a receita com níquel da Vale havia caído
pela metade.
 Além do níquel, a Vale deverá ter impacto cambial negativo,
segundo a analista Catarina Pedrosa, do Banif Securities.
"Não vai ter benefício nenhum com o câmbio, só atrapalha...o
dólar valorizou 20 por cento na ponta, o que afeta a dívida e
não melhora a receita", explicou à Reuters.
 Ela avaliou que ainda é cedo para prever o comportamento do
preço do minério de ferro para 2009, o que poderia melhorar a
performance da companhia, mas o mercado já fala em queda depois
de um ciclo de altas desde 2002.
 "Tem que imaginar como a China vai crescer, se vai ser 7,
8, ou 9 por cento, isso vai fazer diferença, ver se (a China)
vai investir em novas capacidades de aço ou usar essa
capacidade imensa que já tem, porque se for usar a mesma
quantidade de aço não precisa de mais minério", explicou.
 O Banco Brascan projetou vendas menores no terceiro
trimestre para a Vale, com exceção do minério de ferro, que
terá alta de 4 por cento, segundo o banco. O níquel, cobre e
alumínio registraram de julho a setembro quedas de preço da
ordem de 30, 13 e 20 por cento, segundo o Brascan.
 "Com isso, nossa estimativa é de uma receita bruta 6 por
cento menor do que a registrada no segundo trimestre", estimou
o analista Rodrigo Ferraz em relatório.
 O Brascan também avaliou queda de 12 por cento na geração
de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros,
amortizações), a mesma queda prevista para o lucro.
 O banco mantém, no entanto, a recomendação para a ação da
empresa acima da média do mercado, com preço justo por ação de
70,15 reais contra o patamar atual de aproximadamente 25
reais.


 A seguir, a tabela mostra a média das estimativas de cinco
analistas em milhões de reais, segundo as normas contábeis
brasileiras (BRGAAP):




              3o TRI        3o TRI       2oTRI    VARIAÇÃO
                2008          2007        2008       PCT
Receita líquida    18,8          16          18,8      17,5
EBITDA             10            7,9         10,4      26,5
Margem EBITDA      53,2         49,4         55,3    +3,8ptpct
Lucro Líquido      4,6           4,6          4,6        0


 (Edição de Marcelo Teixeira)