De olho na semântica, governo anuncia "não-pacote" anticrise

quarta-feira, 22 de outubro de 2008 18:48 BRST
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 22 de outubro (Reuters) - O conjunto de medidas anunciado a conta-gotas pelo governo até agora daria para encher um pacote anticrise inteiro. Apesar disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repete feito mantra que não há, nem haverá, "pacote" para enfrentar as dificuldades atuais.

Em poucas semanas, a equipe econômica já anunciou uma sucessão de providências que vão desde a venda de dólares pelo Banco Central em diversas modalidades à possibilidade de compra de instituições financeiras privadas por bancos estatais.

"É que o nome pacote virou um palavrão. Pacote ou não-pacote, o que importa são todas essas ações", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), aliado do Planalto e líder da bancada.

"Pacote? O governo diz que não tem, mas já anunciou um contêiner", afirmou o deputado oposicionista José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Já foram editadas duas MPs para enfrentar os efeitos da crise na economia brasileira da crise --iniciada nos Estados Unidos no ano passado e que se acentuou em meados de setembro-- além de outras ações e liberações de recursos.

A MP divulgada nesta quarta-feira permite a compra de participação em instituições financeiras privadas por dois grandes bancos públicos: o Banco do Brasil (BBAS3.SA: Cotações) e a Caixa Econômica Federal.

A medida também permite que o BC faça operações de swap de moedas com outros BCs do mundo e autoriza a Caixa a entrar no capital de construtoras, garantindo impulso ao setor de Construção Civil, que emprega um importante número de trabalhadores.

  Continuação...