ESPECIAL-Turbinado, mercado de higiene e beleza só faz crescer

quarta-feira, 24 de outubro de 2007 11:24 BRST
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Ela não faz estatística, mas tem a percepção das ruas. Miranda, como é conhecida, vende cosméticos da marca Natura de porta em porta e garante que o comércio dos produtos de beleza está em alta e vai continuar crescendo.

"O ser humano, por pobre que seja, não fica sem sabonete, desodorante, um batom. E também não deixa de arrumar o cabelo", diz Maria Rodrigues de Miranda Silva, de 54 anos. Com a atividade de vendedora autônoma, que inclui outras marcas além da Natura, ela mantém a casa com três filhos adultos e o marido desempregado.

Moradora de Diadema, cidade de população de baixa renda da Grande São Paulo, ela diz que se sente "querida" pelas inúmeras clientes. Essa relação de proximidade é considerada a "alma" da venda direta, que é o principal canal de vendas dos dois maiores fabricantes de cosméticos do país, Natura e Avon.

Claro que a vaidade move este mercado no Brasil, onde as mulheres representam 51,4 por cento da população. O país vem experimentando um salto nas vendas de itens de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, tanto no sistema de porta em porta, que chega a 30 por cento do total, quanto no varejo em geral.

Mas nem só de vaidade vive a mulher brasileira. Fatores bem mais concretos estão por trás do aumento médio de 10,9 por cento do mercado desses produtos nos últimos onze anos.

"Como efeito secundário da política de distribuição de renda do governo, o consumidor de baixa renda ficou com mais dinheiro no bolso", disse à Reuters Rodolfo Guttilla, diretor de assuntos corporativos da Natura.

O executivo exemplifica ao apontar um item supérfluo em ascensão na região mais carente do país. "Agora existe mais possibilidade de consumir perfume, especialmente água de colônia, e o Nordeste é uma região enorme para isso", afirma.

Neste ano, a previsão é de que o movimento ascendente das vendas se repita. A associação do setor, a Abihpec, projeta alta de 13 por cento, quando o faturamento deve atingir 19,8 bilhões de reais, frente aos 17,5 bilhões de reais de 2006. Se esses dados se confirmarem, o setor repetirá o desempenho de 2006 sobre 2005.   Continuação...