Dólar exibe forte queda após Fed, mas mantém cautela

terça-feira, 22 de janeiro de 2008 13:37 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O corte inesperado do juro nos Estados Unidos teve impacto imediato sobre o dólar nesta terça-feira, com baixa de mais de 1 por cento sobre o real. O mercado, porém, administrava a euforia e mantinha a moeda norte-americana acima do patamar de 1,80 real.

No fechamento da manhã, o dólar era cotado a 1,810 real, em queda de 1,09 por cento.

"O mercado (de câmbio) está reagindo, mas já voltou um pouco, porque ainda há um cenário meio nebuloso", disse Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista.

O Federal Reserve anunciou nesta manhã a redução de 0,75 ponto percentual tanto da taxa básica de juros quanto da taxa de redesconto, usada para os empréstimos feitos diretamente aos bancos. A taxa básica chegou a 3,5 por cento, e o redesconto caiu para 4,0 por cento.

A medida foi vista como uma reação ao terremoto sentido pelas bolsas de valores na véspera. Enquanto os Estados Unidos aproveitavam o feriado de Martin Luther King, as ações na Europa, Ásia e emergentes tiveram perdas históricas diante das crescentes perspectivas de recessão nos EUA.

As bolsas em Nova York refletiam nesta terça-feira a turbulência da véspera. Na volta do feriado, os índices Dow Jones e S&P 500 se ajustavam aos mercados europeus e caíam mais de 2 por cento.

A queda, porém, poderia ser maior sem o corte surpresa pelo Federal Reserve, de acordo com analistas.

Em todo o mundo, as ações e os indicadores de risco de emergentes tiveram reação imediata ao anúncio do Fed, recuperando parte das perdas registradas na segunda-feira. No Brasil, a Bovespa exibia alta de 2,4 por cento, às 13h.

O real pode se beneficiar de forma mais duradoura da decisão. O corte do juro nos EUA aumenta a diferença de rendimento entre os títulos norte-americanos e os ativos brasileiros, favorecendo as chamadas operações de arbitragem.

Para Rodrigues, porém, isso não pode ser dado como certo. "A questão não é mais aversão a risco, é retirada de recursos para pagar prejuízos, o que é totalmente diferente. Nós nunca vivemos isso", disse.

(Por Silvio Cascione)