Ministros europeus: não há recessão aqui, e não entrem em pânico

terça-feira, 22 de janeiro de 2008 15:31 BRST
 

Por Jan Strupczewski e Paul Carrel

BRUXELAS, 22 janeiro (Reuters) - Ministros das Finanças de países europeus manisfestaram preocupação com a reação das bolsas de valores diante do fantasma de recessão nos Estados Unidos, e tentaram assegurar que a Europa teria condições de lidar com uma tempestade na maior economia do mundo.

O chairman do grupo de ministros das Finanças da zona do euro, o premiê de Luxemburgo Jean-Claude Juncker, disse que uma venda generalizada de ações, na segunda-feira, foi parcialmente irracional, enquanto o ministro da Economia da Espanha Pedro Solbes afirmou que todos estão preocupados com os rumos dos mercados.

"Quando os mercados financeiros agem de maneira irracional é porque são movidos por um comportamento de manada, quando os mercados de ações demonstram muita atenção no curto prazo, não há motivo para os ministros das finanças fazerem o mesmo", disse Juncker a jornalistas nesta terça-feira.

Outros ministros da União Européia procuraram não dar importância sobre uma eventual recessão nos EUA. "Mesmo que os EUA entrem em recessão não será uma tragédia para eles", disse a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde.

Os ministros deram as declarações no momento em que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, anunciava em decisão extraordinária nesta terça o corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, para 3,5 por cento ao ano. A medida surpresa inverteu o movimento de baixas nos principais mercados europeus, com o FTSEurofirst 300 encerrando o pregão em alta de 2,13 por cento.

A ministra das Finanças da França pediu calma apesar do que ela chamou de uma brutal correção nos mercados, com as bolsas da Ásia tendo forte queda. Na segunda-feira, o FTSEurofirst 300, índice que reúne as principais ações européias, teve a maior queda diária desde 11 de setembro de 2001, dia dos ataques aéreos contra os EUA.

Sessenta por cento das exportações francesas foram para o resto da zona do euro e apenas 8 por cento para os EUA, disse Lagarde.

"Não é porque as coisas estão confusas em uma rodada que devemos perder a cabeça", disse ela à rádio Europe 1.   Continuação...