23 de Junho de 2008 / às 16:58 / em 9 anos

Déficit externo diminui em maio, mas BC prevê ano pior

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O déficit em transações correntes do Brasil desacelerou em maio para 649 milhões de dólares, melhor valor apurado no ano, mas a acomodação não impediu o Banco Central de elevar sua estimativa para o saldo negativo de 2008.

O BC prevê agora déficit anual de 21 bilhões de dólares, ante projeção anterior de 12 bilhões de dólares. Caso confirmado, o déficit será o mais forte registrado pelo país desde 2001.

O mercado, que já vinha estimando números menos favoráveis que o BC, espera saldo negativo de 23 bilhões de dólares no ano, segundo o relatório Focus.

Em maio, o arrefecimento do déficit frente ao mês anterior refletiu, principalmente, um recuo nas remessas feitas pelas empresas e também uma elevação pontual das exportações por força da liberação de embarques represados.

“Isso ocorreu por força de uma acomodação das remessas de lucros, que foram muito fortes a partir do segundo semestre do ano passado, mas começam agora a mostrar uma redução”, afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Em abril, o déficit havia sido de mais de 3 bilhões de dólares.

No acumulado em 12 meses, o déficit da conta corrente alcançou o equivalente a 1,11 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,08 por cento do PIB em 12 meses até abril.

De janeiro a maio, o déficit em transações correntes foi de 14,717 bilhões de dólares, inferior ao total de investimentos estrangeiros diretos no país no período, de 13,984 bilhões de dólares.

DÉFICIT VOLTA A SUBIR EM JUNHO

As remessas de lucros e dividendos somaram 3,238 bilhões de dólares em maio, ante 2,887 bilhões de dólares em maio de 2007 e 3,696 bilhões de dólares em abril.

Segundo Lopes, setores como o automotivo e o financeiro, que vinham fazendo remessas elevadas para cobrir posições no exterior, estão esgotando essa possibilidade. “Há um limite para esse processo”, disse.

Para junho, a estimativa do BC é de que as transações correntes tenham déficit de 1,2 bilhão de dólares e os investimentos estrangeiros somem 3,0 bilhões de dólares.

O déficit deste mês, se confirmado, seria quase o dobro do registrado em maio por conta de uma acomodação das exportações --que cresceram 37 por cento no mês passado após atrasos nos primeiros meses do ano devido, principalmente, à greve dos auditores fiscais da Receita Federal.

O BC estima agora que a balança comercial fechará 2008 com superávit de 25 bilhões de dólares, ante projeção anterior de 27 bilhões de dólares.

A estimativa para as remessas de lucros e dividendos foi elevada para 29 bilhões de dólares, ante prognóstico anterior de 24 bilhões de dólares.

Os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 1,313 bilhão de dólares no mês passado, ante 497 milhões de dólares em maio do ano passado.

No ano, o país acumula investimentos estrangeiros de 13,984 bilhões de dólares, e o BC estima que essa conta fechará 2008 em 35 bilhões de dólares.

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