Banqueiros e analistas defendem leilão para Nossa Caixa

sexta-feira, 23 de maio de 2008 14:52 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Temendo que o componente político privilegie a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, as maiores instituições financeiras privadas do país fizeram coro nesta sexta-feira em defesa de um leilão do banco estatal paulista, até há pouco o patinho feio entre os grandes bancos de varejo.

Em meio ao processo de consolidação do setor bancário brasileiro, que teve o último movimento com a compra das operações do ABN Amro no país pelo Santander, Bradesco, Itaú e Unibanco se apressaram em se manifestar desapontados com a possibilidade de que o próximo passo seja dado sem concorrência.

"As regras de mercado devem prevalecer, com a realização de uma licitação pública. Seria mais legítimo", disse em nota o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão. "O Banco do Brasil é um candidato forte, mas não se pode eliminar o direito à concorrência."

Márcio Schettini, vice-presidente de varejo do Unibanco, disse à Reuters imaginar "que qualquer tipo de evolução nesse sentido passaria por um leilão ou consulta pública".

Para analistas, um possível acordo entre o governo federal --controlador do BB-- e o do Estado de São Paulo --dono de 71 por cento da Nossa Caixa-- seria prejudicial para os acionistas do banco paulista, já que uma concorrência aberta tenderia a elevar o preço das ações. Às 14h40, os papéis da Nossa Caixa na Bolsa de Valores de São Paulo saltavam 31 por cento, a 36,11 reais.

"Tem que ficar claro para o acionista como é essa negociação direta com o Banco do Brasil", disse Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner.

Listada no Novo Mercado da Bovespa, segmento com regras rígidas de transparência e respeito aos acionistas, a Nossa Caixa é obrigada a estender aos minoritários 100 por cento do preço pago às ações do bloco de controle, em caso de venda.

O presidente do Itaú, Roberto Setubal, disse ao O Estado de S.Paulo que um leilão garantiria melhor preço ao banco estadual e que teria interesse na instituição.   Continuação...