23 de Outubro de 2008 / às 18:16 / 9 anos atrás

CONSOLIDA-BC mostra artilharia e Tesouro tenta controlar o juro

Por Renato Andrade

SÃO PAULO, 23 de outubro (Reuters) - O governo brasileiro resolveu abandonar nesta quinta-feira a política de “matar um leão por dia” e atacou em três frentes ao mesmo tempo, tentando mostrar força, estratégia e vontade de estancar os efeitos da crise global de crédito sobre a economia brasileira.

O Banco Central atacou de um lado, o Ministério da Fazenda de outro e o Tesouro Nacional, por último, tirou de campo o que poderia gerar mais volatilidade e lançou uma medida para trazer rumo para o mercado de juros.

Diante da redução da oferta de moeda estrangeira no mercado local, a Fazenda resolveu zerar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide na liquidação das operações de câmbio para ingresso de recursos de investidores estrangeiros para os mercados financeiro e de capitais do país, e no ingresso e saída de dinheiro referente a empréstimos e financiamentos.

O secretário extraordinário de reformas da Fazenda, Bernard Appy, foi taxativo ao explicar as razões que fizeram o governo a adotar a medida, que beneficiará, principalmente, os capitais de curto prazo, tão criticados por diversos integrantes do governo Lula, em diferentes momentos.

“Temos que entender que não estamos numa situação de normalidade”, disse Appy, durante entrevista coletiva em Brasília. E acrsescentou: “Não faz sentido você restringir a entrada de capital estrangeiro, de qualquer natureza, neste momento”.

A medida, anunciada antes da abertura dos mercados, não foi suficiente para trazer calma ao mercado de câmbio no início da sessão, quando o dólar abriu em disparada.

Coube ao BC resolver este problema.

Logo após a abertura, a autoridade monetária resolveu comunicar ao mercado qual é o escopo de seu programa de oferta de contratos de swap cambial.

Em nota, o BC disse que está disposto a oferecer até 50 bilhões de dólares em vendas destes contratos, caso as condições do mercado exijam.

A nota gerou efeito imediato, e a moeda americana desacelerou a alta.

Para mostrar que pretendia ir além da retória, o BC anunciou em intervalos curtos dois leilões de venda de dólares no mercado à vista e uma venda não programada de 30 mil contratos de swap, que somados ao leilão previsto elevaram para 46 mil o número destes instrumentos colocados em mercado somente nesta quinta-feira.

Por volta das 15h38, a moeda americana operava em queda acentuada, com desvalorização de 4,49 por cento. Faltando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da sessão, o BC anunciou o terceiro leilão do dia. Os futuros de dólar reagiram imediatamente, apontando queda de 5,31 por cento.

TÍTULOS

Do lado dos juros, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) abriram o dia em forte alta. O vencimento de janeiro de 2012 chegou a ultrapassar a marca dos 18 por cento.

O Tesouro cancelou seu leilão tradicional de venda de títulos públicos, mas resolveu fazer uma operação excepcional, para tentar arrumar a casa. Anunciou um leilão de compra e venda simultânea de NTN-F --título com correção prefixada-- para tentar fixar um parâmetro para a curva de juros de longo prazo.

A medida ajudou a moderar o comportamento das taxas na BM&F. depois do leilão e do anúncio da mesma operação para sexta-feira, o DI de janeiro de 2012 apontava um juro bem mais em conta, de 16,80 por cento.

Reportagem adicional de Isabel Versiani e Jenifer Corrêa; Edição de Alexandre Caverni

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