Quadro externo rouba a cena, mas Brasil ainda tem risco próprio

sexta-feira, 23 de novembro de 2007 17:06 BRST
 

Por Daniela Machado e Denise Luna

SÃO PAULO, 23 de novembro (Reuters) - A aversão ao risco pressionou os mercados globais nos últimos dias e, a reboque, os ativos brasileiros.

Embora alguns analistas considerem o movimento doméstico apenas um ajuste à conjuntura internacional, setores como a indústria alertam: o país não está totalmente isento de seus próprios riscos.

"O Brasil tem um grau de atração que é forte, mas não está livre de riscos. Uma questão é se a indústria está apta a atender o crescimento. A parte logística não é boa, além da parte da energia, seja do gás ou da energia elétrica", afirmou Paulo Francini, diretor de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No caso da energia, empreendimentos menos competitivos, insegurança em relação ao fornecimento de gás e demora no licenciamento de hidrelétricas são alguns dos obstáculos que o consultor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura Adriano Pires vê para o desenvolvimento de projetos do setor.

"Há uma preocupação não só de faltar energia, há a preocupação, que é mais realista, de que o preço no Brasil está ficando muito alto, então o que a gente está vivendo é racionamento econômico, e isso assusta o investidor", disse.

Menos pessimista, o especialista em energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida, não vê problemas de energia no curto prazo, mas também se preocupa com os próximos dois anos.

O governo diz não temer um desabastecimento, como ocorreu em 2001, e considera a alta de preços um sinal de segurança do sistema e, portanto, fator de atração de investimentos para o setor.

Neste mês, a tensão com a crise global de crédito, originada no setor imobiliário dos Estados Unidos, faz com que o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo .BVSP acumule baixa de 7 por cento. O dólar tem alta de quase 2,5 por cento.   Continuação...