23 de Outubro de 2007 / às 14:47 / em 10 anos

Tomador final já sente efeito de freio do Banco Central

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - Números preliminares do Banco Central para o desempenho do crédito nos primeiros dias de outubro já indicam um ligeiro encarecimento dos financiamentos para os tomadores finais às vésperas da última reunião do Comitê de Política Monetária.

No último dia 17, os diretores do BC resolveram dar uma pausa no processo de queda de juros após dois anos de cortes da Selic e mantiveram os juros em 11,25 por cento ao ano.

Os bancos anteciparam esse movimento, em resposta ao comportamento dos juros futuros praticados no mercado, e já deixaram de reduzir suas taxas.

A taxa média de juros cobrada dos bancos passou para 35,7 por cento nos primeiros oito dias úteis do mês, frente a 35,5 por cento no final de setembro, informou o BC nesta terça-feira.

Para as pessoas físicas, a taxa média passou de 46,3 por cento para 46,4 por cento, enquanto para as empresas, ela foi de 23,2 por cento para 23,5 por cento.

Caso essa tendência se mantenha até o final do mês, será a primeira vez que os juros médios terão subido desde janeiro.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirma, contudo, que os números são preliminares e devem ser analisados “com cautela”. Para o economista, uma variação de 0,2 ponto na taxa é considerada estabilidade.

“É possível que uma variação no spread tenha um efeito contrário ao longo do mês”, afirmou Lopes a jornalistas. Ele argumentou que, com o aumento continuado do volume de crédito, os bancos devem ter ganhos adicionais de escala e podem decidir reduzir suas taxas mesmo em meio a uma elevação dos custos de captação.

“Os movimentos (das taxas) daqui para a frente vão estar vinculados ao spread”, afirmou Lopes.

Nos primeiros dias de outubro, contudo, o spread médio oscilou para cima, tendo passado de 24,6 pontos percentuais para 24,7 pontos.

As operações de crédito oferecidas pelo sistema financeiro somaram 854,1 bilhões de reais em setembro, o equivalente a 33,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta terça-feira.

Em agosto, o volume total do crédito era equivalente a 33,0 por cento do PIB.

Levando em conta apenas as operações com recursos livres, o volume em setembro era equivalente a 23,3 por cento do PIB, frente a 23,2 por cento no mês anterior.

O crescimento modesto na comparação com os meses anteriores --em agosto o aumento foi de 0,5 ponto percentual-- é um reflexo do número reduzido de dias úteis em setembro (19), disse Lopes.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below