CÂMBIO-BC atua, dólar reverte disparada e tomba 4%

quinta-feira, 23 de outubro de 2008 13:54 BRST
 

SÃO PAULO, 23 de outubro (Reuters) - O dólar encerrou a tumultuada manhã de negócios desta quinta-feira em forte queda, após o Banco Central realizar uma série de intervenções e anunciar que seu programa de swap cambial pode chegar a 50 bilhões de dólares.

A moeda norte-americana BRBY encerrou a primeira metade da sessão cotada a 2,283 reais para venda, em queda de 4,12 por cento, após ter chegado a subir 6 por cento e a cair 5 por cento.

"O BC está querendo é mostrar que ele tem lastro para bancar a coisa... Então, isso tudo reverte numa situação de alerta a eventuais especuladores, de que se precisar, ele (o BC) vai utilizar todo o arsenal de que dispõe", avaliou Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.

A movimentação da autoridade monetária se iniciou com o anúncio do volume de 50 bilhões de dólares para seu programa de leilões de swaps cambiais, num momento em que o dólar operava nas máximas do dia no mercado à vista.

Minutos depois do anúncio do caminhão de dólares disponíveis para swaps, o BC entrou no mercado à vista com um leilão de venda. Sem perder tempo, a autoridade monetária engatou uma segunda venda de dólares.

E na escalada de atuações, o BC anunciou um inesperado leilão de swap cambial tradicional. Na véspera tinha informado que haveria uma operação desse tipo às 12h45, mas o novo leilão ocorreu antes do já programado.

Nos dois leilões de swap, o BC vendeu 46.000 contratos, o total ofertado, equivalente a 2,2 bilhões de dólares. Além disso, o banco fez mais um leilão de venda no mercado à vista.

"A gente está numa situação em que a gente sofre a influência de todo o mercado externo e lá fora a situação não está diferente", afirmou Arruda referindo-se à turbulência externa diante de uma possível recessão global.

No mercado acionário, a Bovespa e as bolsas de valores nos Estados Unidos operavam com fortes oscilações.

"Eu acho que o mercado vai continuar com uma situação muito complicada, muito volátil... Todo mundo ainda não sabe o tamanho do rombo (causado pela crise)", avaliou Arruda.

(Reportagem de Jenifer Corrêa; Edição de Alexandre Caverni)