October 23, 2008 / 5:07 PM / 9 years ago

CONSOLIDA-Remessas avançam e déficit externo sobe a US$2,8 bi

4 Min, DE LEITURA

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 23 de outubro (Reuters) - O Brasil registrou em setembro um déficit em transações correntes de 2,769 bilhões de dólares, refletindo mais uma vez a forte saída líquida de lucros e dividendos, que tem se acentuado com a crise financeira global.

A remessa líquida de recursos provenientes de lucros e dividendos somou no mês passado 3,436 bilhões de dólares, ante 1,686 bilhão de dólares há um ano.

O resultado surpreendeu o BC. Segundo o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes, houve uma concentração destas remessas no final do mês, refletindo uma corrida das empresas que precisavam cobrir posições no exterior.

Em 12 meses até setembro, o déficit em transações correntes brasileiro atingiu valor equivalente a 1,64 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,45 por cento do PIB em 12 meses até agosto.

Apesar disso, os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 6,258 bilhões de dólares no mês passado, o segundo maior volume da série do BC depois de junho de 2007, quando somaram 10,318 bilhões de dólares. Segundo Altamir, do total investido, 2,7 bilhões de dólares corresponderam a uma operação em uma empresa de varejo.

Há um ano, os investimentos diretos foram de 1,537 bilhão de dólares.

Para outubro, Altamir acredita que estes investimentos somarão 3,5 bilhões de dólares. Até esta quinta-feira, o volume destes investimentos no país já somavam 3 bilhões de dólares, disse o chefe do Depec.

Ele também antecipou a projeção do BC para o resultado das transações correntes brasileiras de outubro. Pelos cálculos do BC, o país deve fechar o mês com um déficit de 2 bilhões de dólares.

Essa projeção leva em conta uma desaceleração das remessas de lucros e dividendos, que até o dia 23 de outubro somavam 1,126 bilhão de dólares. Para o BC, o encarecimento do dólar, aliado ao desaquecimento da economia, tende a reduzir o volume de remessas pelas empresas.

Crise Pesa

Se os investimentos diretos tiveram desempenho favorável, as aplicações de estrangeiros em ações e renda fixa no Brasil recuaram fortemente no mês passado, refletindo o agravamento da crise externa.

Os investimentos estrangeiros em carteira tiveram uma saída líquida de 1,246 bilhão de dólares, após um fluxo positivo de 747 milhões de dólares em agosto.

Para outubro, os números parciais indicam um agravamento dessa tendência. Até o dia 23, os estrangeiros tinham tirado 4,398 bilhões de dólares das aplicações em ações dentro do Brasil, frente a uma retirada de 1,877 bilhão de dólares em setembro.

Nas aplicações em renda fixa no país, o investimento foi negativo em 842 milhões de dólares até agora em outubro, frente a um fluxo positivo de 1,182 bilhão de dólares em setembro.

O encarecimento do dólar resultante da crise levou os gastos dos brasileiros com viagens internacionais a despencar em outubro. As despesas caíram a 599 milhões de dólares neste mês até o dia 23, após somarem 1,124 bilhão de dólares em setembro, valor recorde para o mês.

Altamir afirmou que a expectativa é que esses números continuem em queda, uma vez que pacotes de viagens contratados antes da volatilidade ainda entrarão na conta.

Edição de Renato Andrade

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