CÂMBIO-Dólar sobe em dia volátil por conta de volume fraco

sexta-feira, 23 de novembro de 2007 10:52 BRST
 

SÃO PAULO, 23 de novembro (Reuters) - A cautela dos investidores após dias de turbulência no exterior puxava a alta do dólar nesta sexta-feira, em uma sessão mais volátil por conta do volume abaixo da média.

Às 10h52, a moeda BRBY subia 0,56 por cento, para 1,790 real. Na véspera, a leve alta do dólar foi suficiente para que a divisa fechasse no maior nível em quase um mês.

O dólar chegou a operar em queda no começo da sessão, acompanhando o clima positivo nas bolsas européias e no mercado futuro de ações nos Estados Unidos.

Mas a busca por proteção após a instabilidade das últimas semanas continuou a afetar o real. Segundo o operador de uma corretora nacional, o mercado futuro registrou uma operação de compra de cerca de 300 milhões de dólares, o que provocou um salto da taxa de câmbio.

O pulo da cotação foi favorecido pelo volume fraco do mercado --Wall Street está voltando de um feriado, mas ainda encerra as operações mais cedo. Além disso, disse o operador, a cautela generalizada diminuiu a oferta de dólares para atender à demanda dessa operação.

"Talvez num dia em que o mercado estivesse com um pouco mais de otimismo, ele absorveria mais fácil", disse.

Outro operador, que trabalha em outra corretora nacional e também preferiu não ser identificado, disse que o mercado avalia que essa operação foi a contraparte de uma saída efetiva de moeda do país. "Mas teve que se zerar no futuro, onde tem mais liquidez", explicou.

Nos últimos dias, mesmo com a movimentação intensa no mercado futuro, a maioria dos analistas avaliava que, de modo geral, os investidores mais avessos a risco ainda não estavam retirando dólares do país, e sim promovendo ajustes para se proteger no caso de uma eventual piora na turbulência.

E a volatilidade do câmbio deve continuar na próxima semana. Segundo Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez, o dólar deve ser influenciado por indicadores norte-americanos e pela forte entrada de recursos esperada para participar da oferta pública de ações (IPO) da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Renato Andrade)