23 de Agosto de 2008 / às 19:29 / 9 anos atrás

Vôlei feminino ganha ouro, mas perde Fofão e Walewska

Por Alberto Alerigi e Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - A seleção feminina de vôlei conseguiu sua primeira medalha olímpica de ouro neste sábado, mas a alegria da vitória se mistura com a despedida, com o time encerrando um ciclo e perdendo entre outras jogadoras Fofão, levantadora que em Pequim participou de sua quinta e última olimpíada.

A jogadora de 38 anos, uma força sempre presente na campanha invicta do Brasil em Pequim, foi homenageada e jogada para o alto pelo time brasileiro ao final partida em que o Brasil venceu a seleção dos Estados Unidos por 3 sets a 1.

“Ter uma medalha dessas é a realização de uma vida inteira”, disse a paulista Hélia de Souza, a Fofão. “Com esse grupo eu aprendi muita coisa e sou eu que agradeço a elas”, afirmou a jogadora, que além do ouro de Pequim conseguiu duas medalhas de bronze nos Jogos de Atlanta (1996) e em Sydney (2000).

“Não podia esperar coisa melhor. Lutamos muitos anos para conquistar essa medalha”, disse ainda a jogadora em breve entrevista após a vitória sobre os EUA.

Mas a levantadora não pretende abandonar totalmente o esporte e que vai continuar jogando em clubes, por enquanto. “Eu estou na melhor forma física da minha vida”, afirmou.

Além de Fofão, outra que pretende deixar a seleção, pelo menos por enquanto, é a meio-de-rede Walewska, de 29 anos, também bronze em Sydney e terceira olimpíada em Pequim. A jogadora pretende dar uma pausa no rigoroso trabalho de treinamentos e competições do time para formar família.

“Eu preciso dar um tempo. Tenho outros projetos fora da seleção que não podem mais esperar. Eu preciso casar, eu quero ter um filho”, disse ela, afirmando que vai parar pelo menos por uns dois anos e depois desse prazo vai analisar se volta às quadras.

“Estou desde 1998 com a seleção, são três olimpíadas, quero organizar a minha vida”, afirmou ela dizendo que a medalha de ouro é era a única que seu time merecia após tantos anos de dedicação.

Por conta das mudanças na equipe, 2009 será um ano de transição para o Brasil no vôlei feminino, assim como para outras seleções, afirmou o técnico José Roberto Guimarães, único no mundo a ser campeão olímpico com um time masculino (Barcelona em 1992) e feminino.

“Vai haver grande mudança nas equipes, com mudanças de jogadoras acontecendo em times como os de Cuba e da Rússia. No Brasil, a gente precisa encontrar uma levantadora que tenha o perfil da Fofão, que se entregue e que queira ser a melhor levantadora do Brasil”, disse Zé Roberto, que comemorou por muito tempo com Fofão a vitória.

Mas enquanto as mudanças não acontecem, outras jogadoras querem distância de outros torneios por agora.

A ponta Paula Pequeno, respondendo a perguntas de jornalistas ansiosos pelos planos futuros da equipe, afirmou que não quer “nem pensar em outra competição ainda, calma gente”, disse ela com um sorriso no rosto.

FIM DAS CRÍTICAS

A seleção feminina, que amargava desde os Jogos Olímpicos de Atenas (em 2004) a pecha de não conseguir resultados importantes por nervosismo em momentos cruciais se mostrou confiante em todo o torneio disputado em Pequim, perdendo apenas um set, justamente no último jogo, contra os Estados Unidos.

Para as jogadoras, a conquista da medalha de ouro, coroou o trabalho de treinamento de quatro anos e joga uma pá de cal sobre as derrotas sofridas pelo time em Atenas, no Campeonato Mundial e nos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro.

“Agora somos campeãs olímpicas, ninguém tem nada para falar da gente. Nosso time estava preparado para ser qualquer coisa hoje”, disse a oposto Mari, um dos recorrentes alvos de críticas à seleção por não ter conseguido pontuar em partida eliminatória contra a Rússia em 2004.

“Não somos as melhores do mundo, mas a gente sabe agora que se a gente jogar bem, a gente pode ganhar de todo mundo”, disse Mari, que fez aniversário de 25 anos neste sábado. “Agora quero descansar e ter um pouco de férias”, disse ela.

A também oposto Sheilla, afirmou que “muita gente não acreditava e mostramos para o Brasil inteiro que somos um grupo vencedor. Depois de quatro anos trabalhando a única coisa que poderia acontecer era o ouro”.

REUTERS VS

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