Lula defende solução global para crise financeira

terça-feira, 23 de setembro de 2008 12:29 BRT
 

NOVA YORK (Reuters) - Em discurso na abertura da Assembléia-Geral da ONU, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que as soluções para a crise financeira global sejam tratadas por organismos multilaterais.

Lula destacou que as intervenções do Estado, "contrariando os fundamentalistas do mercado", mostram que a política se sobrepõe à economia e que os governantes precisam agir para combater a "desordem" nas finanças internacionais.

Mencionando o economista brasileiro Celso Furtado, Lula disse que "é inadmissível que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas invariavelmente socializadas".

Para Lula, a resolução de crise tão grave não pode ser deixada aos fóruns econômicos, e exige a presença dos Estados nacionais.

"Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas", propôs Lula.

"Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições", acrescentou.

O presidente atribuiu à ONU a responsabilidade de convocar os países para contribuir na solução da crise.

"Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós", afirmou.

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