September 23, 2008 / 6:17 PM / in 9 years

CONSOLIDA-Conta externa segue em queda, mas investimento anima

6 Min, DE LEITURA

Por Raymond Colitt e Renato Andrade

BRASÍLIA, 23 de setembro (Reuters) - As contas externas brasileiras continuam se deteriorando, à medida que a crise financeira internacional se agrava, mas os investimentos estrangeiros continuam entrando no país em volume suficiente para financiar os déficits.

Em agosto, o saldo das transações correntes do Brasil com o resto do mundo ficou negativo em 1,090 bilhão de dólares e deve fechar setembro novamente no vermelho, com um déficit estimado em 1,7 bilhão de dólares.

O cenário traçado pelo Banco Central para 2008 e 2009 aponta para déficits crescentes do saldo da conta corrente.

De acordo com dados divulgados pelo BC nesta terça-feira, o Brasil deve fechar o ano com um saldo negativo de 28,8 bilhões de dólares em suas transações correntes. Para 2009 a estimativa é ainda pior: 33,1 bilhões de dólares de déficit.

Até agora, o BC vinha trabalhando com a expectativa de um saldo negativo de 21 bilhões de dólares este ano. A estimativa para 2009 é a primeira feita pelo governo.

A piora na projeção reflete o aumento das remessas líquidas de lucros e dividendos, que devem somar 33 bilhões de dólares, e não mais 29 bilhões de dólares como estimado anteriormente.

"Observamos uma aceleração, nessa segunda metade do ano, de remessas", afirmou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes.

As remessas de lucros e dividendos, que vêm pesando sobre o resultado das contas externas nos últimos meses, aumentaram para 1,933 bilhão de dólares em agosto, ante 1,386 bilhão de dólares no mesmo período do ano passado.

De janeiro a agosto, o volume de saídas líquidas já soma 24,064 bilhões de dólares, praticamente 2 bilhões acima de todo o valor remetido no ano passado.

Outro elemento que tem contribuído para a piora das contas externas é o resultado da chamada conta de serviços, que contabiliza receitas e despesas com viagens internacionais, aluguel de equipamentos entre outros.

O déficit desta conta em agosto ficou 32,8 por cento maior que o registrado em igual período de 2007. Somente as despesas líquidas com viagens internacionais registraram um salto de mais de 100 por cento, atingindo 523 milhões de dólares.

SUPERÁVIT COMERCIAL

Pelo lado positivo, o BC continua apostando que a balança comercial fechará o ano com um superávit de 25 bilhões de dólares, e os investimentos estrangeiros diretos somarão 35 bilhões de dólares.

Pelos cálculos do BC, as exportações somarão 198 bilhões de dólares em 2008, levemente abaixo da nova meta definida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de 202 bilhões de dólares, conforme anunciado pelo secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, nesta terça-feira.

"É uma meta ambiciosa, no sentido de que pretendemos que a média mensal de exportações dos próximos meses seja mais elevada que a do resto do ano", afirmou o secretário.

Ruim Agora, Pior Depois

No cenário do BC para as contas externas de 2009, o déficit em transações correntes estimado em 33,1 bilhões de dólares reflete uma piora no resultado da balança comercial e a continuidade de fortes remessas líquidas de lucros e dividendos das empresas instaladas no país para as matrizes no exterior.

"Nós estamos reduzindo o resultado da balança comercial --obviamente isso está relacionado com a crise", disse Lopes, durante entrevista coletiva.

Pelas projeções do BC, a balança comercial encerrará o próximo ano com um superávit de 17 bilhões de dólares. As remessas de lucros e dividendos, por sua vez, alcançarão a cifra de 30 bilhões de dólares, levemente abaixo da saída líquida esperada para 2008.

Mas o ingresso de investimentos estrangeiros no país se manterá em patamar suficiente para financiar o déficit das transações correntes. Pelos cálculos do BC, estes investimentos devem somar um total de 33 bilhões de dólares em 2009.

"Temos uma economia que continua a crescer. O investimento estrangeiro direto é suficiente para financiar o déficit das transações correntes", afirmou o chefe do Depec.

Apesar da clara piora dos números das contas externas brasileiras, analistas ainda acreditam que o balanço de pagamentos é administrável.

"A velocidade da deterioração das contas externas foi muito rápida, mas não o suficiente pra deixar a gente muito receoso", afirmou Eduardo Moreira, economista da BNY Mellon Arx Investimentos.

Reportagem adicional de Elzio Barreto, em São Paulo, e Fernando Exman, em Brasília; Edição de Vanessa Stelzer

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