23 de Fevereiro de 2008 / às 14:10 / em 10 anos

Mugabe lança campanha à reeleição em festa de aniversário

Por Cris Chinaka

BEITBRIDGE, Zimbábue (Reuters) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, comemora seu aniversário de 84 anos com um enorme comício neste sábado, no qual deve lançar oficialmente sua campanha à reeleição.

Mugabe, no poder desde a independência do país da Grã-Bretanha, em 1980, quer mais cinco anos de mandato para aumentar seu controle no país africano. O Zimbábue está mergulhado numa crise econômica marcada por inflação de mais de 100 mil por cento e escassez crônica de alimentos e combustíveis.

O líder de 84 anos enfrenta um sério oponente em seu ex-aliado e ex-ministro da economia Simba Makoni, que prometeu reverter a situação econômica do país caso seja eleito em 29 de março.

Morgan Tsvangirai, líder da principal facção do oposicionista MDC (Movimento para a Mudança Democrática), também é candidato à presidência.

Mugabe fez 84 anos na quinta-feira, mas comemora a data sábado em sua cidade natal, na fronteira com a África do Sul.

Analistas afirmam que a festa vai dar o tom à campanha presidencial de Mugabe, que concentrará forças contra Makoni, mais jovem que ele e cuja candidatura irritou Mugabe e o ZANU-PF, partido do governo.

Makoni, de 58 anos, foi expulso este mês do ZANU-PF, e Mugabe comparou seu oponente a uma prostituta.

Os críticos, incluindo Makoni, culpam Mugabe pela má-administração que transformou o país sul-africano, próspero no passado, em um dos mais pobres da região. Milhões de zimbabuanos deixaram o país em busca de alimento e trabalho.

“Desta vez, Mugabe não conseguirá blefar. Ele terá de falar sobre necessidades básicas, sobre como planeja restaurar a economia, que muita gente acredita ter entrado em declínio por causa do governo dele”, disse Johm Makumbe, conselho político anti-Mugabe.

É provável que Mugabe continue atribuindo os problemas econômicos do Zimbábue à sabotagem de países ocidentais, aos quais ele acusa de tramarem sua derrubada devido à política de desapropriar fazendas de proprietários brancos e redistribuir a terra aos negros.

O líder veterano diz que a Grã-Bretanha e seus aliados estão tentando desestabilizar o Zimbábue antes da eleição ao enviar centenas de pessoas ao país sob o disfarce de funcionários de organizações não-governamentais.

Os críticos dizem que a acusação é outra aposta de Mugabe para encobrir as falhas de seu governo numa eleição que pode vir a ser um divisor de águas para o Zimbábue moderno.

“Com Mugabe e o ZANU-PF no leme, o futuro é sombrio, vazio. Se Makoni pode mudar as coisas, ainda não se sabe. O que está claro é que, sob Mugabe, não há futuro,” afirma editorial do semanário Standard.

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