Tropas russas permanecem em porto da Geórgia apesar da retirada

sábado, 23 de agosto de 2008 10:10 BRT
 

Por Niko Mchedlishvili

POTI, Geórgia (Reuters) - A Rússia guarneceu um checkpoint na estrada para o principal porto da Geórgia no Mar Negro, no sábado, sinalizando a intenção do Kremlin de manter estrito controle sobre a Geórgia, apesar da críticas ocidentais.

As forças da Geórgia estavam mais uma vez controlando a maior auto-estrada do país, e um cinegrafista da Reuters viu uma coluna de tanques russos e outros blindados deixar uma cidade próxima ao Mar Negro, evidência da prometida retirada russa.

Mas o foco estava mudando para zonas-tampão no interior do país, onde a Rússia disse que suas tropas irão manter presença permanente.

O Kremlin disse que deve permanecer para prevenir mais derramamento de sangue, mas a Geórgia e seus aliados ocidentais afirmaram que as zonas ocupadas permitirão à Rússia controlar as rotas de trânsito para exportações de energia pelo Mar Cáspio, principal atividade econômica do país.

"Minha opinião é que (as zonas-tampão) são contra o espírito do acordo de cessar-fogo", disse o ministro das Relações Exteriores da Finlândia e presidente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, Alexandre Stubb, a uma rádio finlandesa.

Um jornalista da Reuters em Poti, principal porto da Geórgia no Mar Negro, disse que podia ver 20 soldados em um checkpoint russo na entrada da cidade.

Mais de 1.000 pessoas se reuniram para protestar contra a presença russa. "Por quê eles querem controlar Poti? Eles não têm esse direito", disse Roland Silagava, de 60 anos. "Talvez eles queiram nos tomar Poti, mas enquanto estivermos vivos não vamos permitir que eles fiquem aqui. Se eles fossem nossos amigos não fariam isso."

O mais movimentado porto da Geórgia para petróleo e derivados é o de Batumi, mais ao sul, mas Poti pode carregar 100.000 barris por dia de derivados de petróleo, que chegam por trem do Azerbaijão. Poti é também a maior porta de entrada para mercadorias não só para a Geórgia mas para outras repúblicas do Cáucaso e da Ásia Central.

Em Moscou, uma autoridade senior da Defesa disse que as tropas russas patrulhariam Poti, embora a cidade esteja fora da "zona de responsabilidade" russa.

"Nós deveríamos sentar atrás da cerca? Que utilidade teria isso? Eles (forças da Geórgia) passariam com Hummers, transportariam munições em caminhões e nós ficaríamos contando?", disse a jornalistas Anatoly Nogovitsyn, vice-chefe do staff militar russo.