Amorim defende "justiça e realismo" na questão de Itaipu

quarta-feira, 23 de abril de 2008 16:55 BRT
 

BRASÍLIA, 23 de abril (Reuters) - O chanceler Celso Amorim defendeu nesta quarta-feira "justiça e realismo" entre Brasil e Paraguai no trato de questões bilaterais, como o Tratado de Itaipu, e negou alterações no preço da tarifa da energia excedente repassada ao Brasil.

"Não sei se vai haver elevação de preço. Não estou dizendo isso, nunca disse isso. Eu disse que era preciso conversar, eu acho que é muito ruim se negar a conversar, adotar atitude de hostilidade, isso não vale a pena", disse Amorim a jornalistas antes da cerimônia de 35 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Segundo Amorim, o que existe é boa vontade por parte do Brasil para tratar de questões apresentadas pelo novo governo paraguaio. O presidente eleito Fernando Lugo teve como uma das plataformas de campanha a revisão do Tratado de Itaipu, que considera prejudicial ao Paraguai.

"O que há é sentido de justiça e deve haver também realismo. Então, vamos ter que combinar as duas coisas", disse Amorim.

Para o chanceler, é prematuro querer chegar a qualquer conclusão agora e as especulações devem ser evitadas.

"Não existe data marcada, nem sei se haverá reunião propriamente, mas imagino que haverá conversas variadas", disse Amorim, acrescentando que irá conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sem prazo definido. "Estive com ele até anteontem e não vou ficar agora aborrecendo ele, que tem outras coisas para cuidar."

Indagado se considera justa a tarifa paga pelo Brasil pela energia excedente de Itaipu, Amorim disse não ter resposta. "Os paraguaios acham que não, outros acham que sim".

Confrontado com a possibilidade de que uma revisão tarifária acabe sobrando para o bolso do consumidor brasileiro, Amorim destacou que o principal é o entendimento entre as partes.

"Uma relação de hostilidade também pode sobrar para o bolso dos brasileiros", salientou. "Nas relações internacionais, como entre as pessoas, todos ganham e todos perdem, é uma coisa natural, assim é a vida."

O Tratado de Itaipu estabelece que cada país é dono de metade da energia produzida, e que a energia não consumida deve ser vendida ao país vizinho. O Brasil compra todo o excedente paraguaio, o que rendeu ao vizinho 340 milhões de dólares em 2007. O Paraguai pretende rever a tarifa paga para obter um valor "mais justo", segundo Lugo.

(Texto de Mair Pena Neto; Edição de Marcelo Teixeira)