JURO-Taxas mais longas cedem com negativa do Tesouro sobre IOF

quarta-feira, 23 de abril de 2008 16:11 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 23 de abril (Reuters) - As projeções mais longas de juros fecharam em queda nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias & Futuros, reagindo ao comentário do Tesouro Nacional de que não está sendo estudado um aumento na tributação do investimento estrangeiro em títulos públicos.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010, o mais negociado, caiu de 13,73 para 13,57 por cento ao ano. O DI janeiro de 2009 recuou de 12,69 para 12,66 por cento.

"Faz uns dias que o mercado está operando com rumores (de aumento) do IOF sobre capital estrangeiro... Mas vieram pessoas do governo desmentindo esses rumores e deu uma bela esfriada", disse Rodrigo Ferreira, operador do Banco Alfa de Investimento.

Em Londres, o secretário-adjunto do Tesouro Paulo Valle disse que o Tesouro não estuda a elevação da alíquota de 1,5 por cento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as aplicações de estrangeiros.

A cobrança vigora desde março em uma tentativa de frear a entrada de capitais de curto prazo no país e, com isso, tirar combustível da valorização do real.

Apesar de ter como alvo o câmbio, um eventual aumento da tributação afetaria mais o mercado de juros, dizem analistas. Uma eventual mudança teria que ser analisada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem a próxima reunião agendada para esta quinta-feira.

A reunião, porém, não é o fato mais aguardado. "O evento importante mesmo de amanhã vai ser a ata do Copom (Comitê de Política Monetária)", acrescentou Ferreira.

Na ata, o Banco Central deve justificar a alta de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juro. O mercado espera a confirmação do discurso de um aperto monetário menos prolongado.

Pela manhã, o BC recolheu 19,166 bilhões de reais dos bancos no mercado aberto, por um dia, a 11,65 por cento ao ano.

(Edição de Daniela Machado)