Aécio teme radicalismo em 2010 e se apresenta como mediador

quinta-feira, 23 de outubro de 2008 14:07 BRST
 

BRASÍLIA, 23 de outubro (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse nesta quinta-feira temer que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tenha que governar em um clima de radicalismo político.

Potencial candidato à sucessão de Lula, Aécio defende a construção de uma agenda com os temas prioritários ao país, como as reformas tributária, política e previdenciária, e se coloca como um potencial mediador entre os grupos políticos liderados por PSDB e PT.

"Eu temo muito que nós estejamos em 2010 reeditando o cenário de radicalismo político que vivemos em 1994, 1998, 2002 e 2006", declarou o governador tucano em entrevista a jornalistas concedida no Planalto, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu serei sempre uma ponte para ajudar. Eu sempre estarei à disposição do presidente para conversar sobre essas questões", acrescentou.

Para o governador mineiro, uma aliança eleitoral entre PSDB e PT em nível nacional "seria utópico". Aécio defendeu, entretanto, que haja uma "convergência" que posibilite ao próximo governo realizar os projetos estruturantes que o país necessita.

"Acho que o Brasil amadureceu suficientemente em razão da experiência que nós tivemos e que o PT está tendo agora (de governar) para termos uma agenda comum em relações a temas centrais que tocam ao país", disse ele.

O governador ressaltou que a união de PT e PSDB em torno da candidatura de Marcio Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte sinaliza que os dois partidos não precisam "ser inimigos por toda a vida" e podem defender uma agenda comum.

Aécio evitou polemizar sobre as eleições à prefeitura de Belo Horizonte, mesmo com as pesquisas apontando ascensão de Lacerda na reta final da disputa contra Leonardo Quintão (PMDB).

"Criou-se no Brasil a expectativa de que era uma eleição já ganha. Nós jamais tivemos essa expectativa", afirmou Aécio, ressaltando que nos últimos 20 anos apenas uma eleição municipal na capital mineira não teve segundo turno, que foi a reeleição do atual prefeito Fernando Pimentel (PT).

Pimentel e Aécio estão juntos no apoio a Lacerda, que está tecnicamente empatado com Quintão, embora numericamente à frente, segundo pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas na quarta-feira.

(Reportagem de Fernando Exman, Edição de Mair Pena Neto)