23 de Outubro de 2008 / às 19:17 / 9 anos atrás

ATUALIZA-Lula descarta dar dinheiro para bancos em dificuldade

BRASÍLIA, 23 de outubro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que a autorização para que bancos oficiais comprem instituições financeiras privadas não significa dar dinheiro a empresas em dificuldade por conta da crise financeira global.

"Não estamos dando dinheiro para qualquer empresa e para qualquer banco. E não vamos dar dinheiro. É importante saber que quem errou pagará pelo seu erro", disse o presidente a jornalistas nesta quinta-feira, após almoço oficial com o rei da Jordânia..

Na véspera, o governo anunciou um conjunto de medidas para proteger empresas e bancos dos impactos da crise global e permitiu, entre outras ações, a compra total ou parcial de bancos privados pelo Banco do Brasil (BBAS3.SA) e pela Caixa Econômica Federal.

"Não vamos dar dinheiro porque não vamos favorecer quem fez especulação", enfatizou Lula.

O presidente negou qualquer socialização de perdas e sinalizou que o dinheiro gasto em eventuais operações de aquisição de bancos e empresas pelas estatais poderá voltar aos cofres públicos.

"O que o governo pode fazer em alguns momentos é comprar ações e, na medida que a empresa se recupere, vender as ações de volta", acrescentou.

AUTOMÓVEIS

Lula confirmou informação passada mais cedo pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de que o Banco do Brasil reforçará a oferta de crédito ao setor automotivo.

"É uma decisão porque a indústria automotiva é uma cadeia produtiva extraordinária. Não queremos que o setor deixe de ser o carro-chefe da economia brasileira", disse Lula.

O presidente comentou a possibilidade de parcerias com instuições que atuam no setor, mas não fez referência à compra de financeira, como mencionou Aécio Neves.

"Obviamente, o Banco do Brasil não tem expertise para fazer financiamentos de automóveis e teria que ter parceria com um banco de investimento", afirmou, negando-se a dar nomes de possíveis empresas e detalhes da operação.

Lula orientou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a conversar com os bancos privados que estejam restringindo a oferta de crédito, apesar da liberação do compulsório.

"Não há nenhuma razão para que os bancos parem abruptamente qualquer política de financiamento", disse o presidente.

No campo político, Lula assegurou que continuará a anunciar medidas para combater a crise e criticou a oposição por apostar no quanto pior, melhor.

"Tudo o que a oposição deseja é que o Brasil entre numa crise profunda para eles poderem ter razão no discurso deles."

Reportagem de Fernando Exman; Edição de Mair Pena Neto

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