UE adota plano contra aquecimento global

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 11:45 BRST
 

Por Paul Taylor e Gerard Wynn

BRUXELAS (Reuters) - A Comissão Européia se reuniu nesta quarta-feira para adotar propostas históricas que tornarão o bloco de 27 países um líder mundial na luta contra as mudanças climáticas, mas, entre as contrapartidas, estará um maior custo com energia.

A comissão, o braço executivo da UE, aprovou planos detalhados para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa em 20 por cento e dividiu entre os países-membros uma meta para que um quinto da energia produzida no bloco seja gerada a partir de fontes renováveis, como o vento ou o sol, até 2020.

O presidente da comissão, José Manuel Barroso, classificou o pacote altamente contestado como "a política de estrutura correta para a transformação da economia européia em não-agressora do meio ambiente e para (o bloco) continuar a liderar a ação internacional para proteger o planeta".

A comissão pretende acelerar as negociações entre os países industrializados para que um acordo sobre o clima seja firmado até 2009, com o objetivo de minimizar os efeitos do aquecimento global, como o aumento do nível dos mares, mais enchentes e mais secas.

Ambientalistas dizem que os cortes são muito pequenos para impedir o progresso do aquecimento global ou para que o continente seja uma forte referência mundial neste segmento.

Bruxelas refinou os planos no último minuto para tranquilizar lideranças industriais, que temem a queda na competitividade por conta do aumento nos custos com energia, favorecendo as indústrias chinesa e indiana, livres de limites de emissões, num período de preços altos para o petróleo.

O comissário da UE para Empresas, Günter Verheugen, porta-voz dos interesses da indústria pesada, disse à televisão alemã: "Sou a favor de darmos um exemplo para o resto do mundo. Mas sou contra cometer um suicídio econômico."

No entanto, as principais características do plano foram mantidas, incluindo uma grande reestruração no Sistema de Negociação de Emissões da UE, que visa à ampliação da variedade de gases negociados, além do dióxido de carbono (CO2), e do envolvimento de todos os responsáveis por grandes volumes de emissões da indústria.   Continuação...