CEO de Merrill Lynch espera mais cortes de juros do Fed

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 12:27 BRST
 

MOSCOU (Reuters) - A economia norte-americana pode não ter entrado completamente em uma recessão, mas está desacelerando significativamente e o Federal Reserve deve realizar mais cortes na taxa de juro para evitar mais problemas, disse o presidente-executivo do Merrill Lynch nesta quarta-feira.

"Eu estou preocupado com a economia norte-americana. Ela está desacelerando significativamente. Expectativas de mais cortes na taxa de juro podem ajudar a aliviar a desaceleração da economia", disse John Thain em coletiva em Moscou. O Federal Reserve cortou a sua taxa básica de juros de forma inesperada na terça-feira em 0,75 ponto percentual, mas Thain disse que mais cortes serão necessários.

"O corte da taxa de juro não é o suficiente para consertar a economia mundial e não irá ajudar os decadentes preços dos imóveis. As grandes quantidades de imóveis não vendidos nos Estados Unidos e o desemprego estão aumentando", disse ele em coletiva após abrir um novo escritório em Moscou.

Thain disse que a Rússia, o maior exportador do mundo do recursos naturais como petróleo, gás e metal, está mais isolada dos problemas econômicos globais do que outros mercados emergentes como Brasil, Índia e China."A economia russa é protegida de alguma forma pela energia."

Mas, como o resto do mundo, é pouco provável que escape plenamente dos problemas econômicos surgidos nos Estados Unidos. Na última semana, o Merrill, a maior corretora do mundo, reportou uma baixa contábil de aproximadamente 16 bilhões de dólares relacionadas às hipotecas de alto risco (subprime) e à reajustes.

Thain disse nesta quarta-feira que ele não iria procurar mais capital ou tentar levantar dinheiro no futuro: "Nós estamos bem capitalizado". Ele também reiterou que ele não espera grandes cortes de empregados

(Reportagem de Amie Ferris-Rotman)