23 de Janeiro de 2008 / às 15:25 / em 10 anos

Com crise, mercado de capitais deve priorizar renda fixa em 2008

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de capitais brasileiro deve assistir em 2008 uma migração significativa de operações de renda variável para renda fixa, diante da crise externa originada nos Estados Unidos.

Para a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), empresas que abriram o capital no ano passado, por exemplo, podem dar sequência a seus projetos via emissões de dívida.

“Deve haver uma migração forte de renda variável para fixa. O que deve ter é aumento de operações de dívida”, afirmou nesta quarta-feira o vice-presidente da Anbid, Luiz Fernando Resende, lembrando que atualmente há 26 operações de renda fixa em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), equivalentes a 18,5 bilhões de reais.

No caso da renda variável, as operações com registro na CVM chegam a 38, mas 15 estão congeladas diante do cenário adverso. “E acredito que algumas serão suspensas”, previu Resende.

Ele ponderou que, apesar das incertezas externas, o “pipeline” dos bancos está elevado e que as empresas devem aproveitar o período de turbulência para continuar se preparando internamente.

“Se esse dever de casa for feito, estarão prontas para acessar o mercado (de renda variável) quando a crise passar.”

2007 RECORDE

O ano de 2007 foi recorde para o mercado de capitais, com destaque para as operações de renda variável --que superaram o volume da renda fixa pela primeira vez nos últimos cinco anos.

Os dados finais da Anbid apontam que, juntas, as operações de emissões de dívida e de ações no mercado doméstico movimentaram 142,5 bilhões de reais no ano passado, com crescimento de 18,9 por cento sobre 2006.

As operações de renda variável foram responsáveis por quase 53 por cento do total.

Com a crise externa mais aguda, a perspectiva de que o Brasil pudesse reprisar neste ano o recorde de 2007 ficou para trás.

“A gente pode ver metade (das operações) do ano passado se a crise não se prolongar demais. Se a crise se estender por uns nove meses e tivermos só os três meses finais do ano para os bancos desovarem as operações, o número pode cair para apenas um quarto do que foi 2007”, estimou Resende, alertando que ainda não estão claras a profundidade e a extensão dos problemas externos.

Em dezembro, com sinais menos graves sobre a economia norte-americana, a Anbid previa que 2008 poderia ser semelhante ao ano passado no mercado de capitais brasileiro.

Por Daniela Machado

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