February 24, 2008 / 8:28 PM / in 9 years

Raúl Castro promete reformas e menos proibições em Cuba

5 Min, DE LEITURA

<p>Ra&uacute;l Castro coloca c&eacute;dula em urna antes de ser eleito presidente de Cuba na Assembl&eacute;ia Nacional, em Havana, 24 de fevereiro. Ra&uacute;l Castro assumiu domingo a presid&ecirc;ncia de Cuba prometendo continuidade pol&iacute;tica, reformas na estrutura do Estado e melhoras na economia socialista. Photo by Pool</p>

Por Esteban Israel

HAVANA (Reuters) - Raúl Castro assumiu domingo a presidência de Cuba prometendo continuidade política, reformas na estrutura do Estado e melhoras na economia socialista que herdou de seu irmão Fidel.

Em seu primeiro discurso ante o Parlamento que o elegeu por unanimidade, Raúl Castro disse que seguirá consultando Fidel nas principais decisões de Estado sobre defesa e política externa.

"Assumo a responsabilidade que me encomendam com a convicção (...) de que o Comandante em Chefe da revolução cubana é um só (...) Fidel é insubstituível e o povo continuará sua obra quando ele já não estiver fisicamente". disse Raúl, um general de 76 anos.

Fidel Castro renunciou na terça-feira após meio século no poder, devido a uma doença que o mantém afastado do público há um ano e meio.

"É claro o mandato do povo (...), continuar fortalecendo a revolução em um momento histórico que exige ser dialéticos e criativos", disse Raúl.

O novo presidente antecipou reformas para modernizar a estrutura do Estado socialista e disse que estuda valorizar o peso cubano.

"O país terá como prioridade satisfazer as necessidades básicas da população, tanto materiais como espirituais, partindo do fortalecimento sustentado da economia nacional e de sua base produtiva", acrescentou.

Raúl disse ainda que nas próximas semanas começaria a eliminar um excesso de proibições que já não têm sentido. Não esclareceu ao que se referia, embora muitos cubanos mencionem os limites para viajar ao exterior, hospedar-se em hotéis para turistas ou comprar e vender casa e automóveis.

Ortodoxo No Segundo Posto

A surpresa do novo Executivo foi a designação como novo vice-presidente, o segundo na hierarquia, de José Ramón Machado Ventura, um comunista ortodoxo da velha guarda revolucionária.

Analistas políticos estrangeiros esperavam que o número dois fosse Carlos Lage, um médico de 56 anos, que na década de 1990 dirigiu as reformas econômicas que abriram algum espaço para o investimento estrangeiro e formas limitadas de iniciativa privada.

O posto deixado por Machado Ventura como um dos cinco vice-presidentes de menor nível do Conselho de Estado será ocupado pelo general Julio Casas Regueiro, de 71 anos, atual número dois de Raúl Castro no Mnistério da Defesa.

Os outros vice-presidentes do Executivo se mantêm como até agora: o comandante guerrilheiro Juan Almeida, de 81 anos; o general Abelardo Colomé, ministro do Interior, e o economista Esteban Lazo, um líder comunista de 63 anos.

Fidel Castro, de 81 anos, continuará jogando um papel decisivo como chefe do governante Partido Comunista, o único legal na ilha. Conservará também a aura de última lenda viva da esquerda mundial.

ADVERTÊNCIA AOS EUA

Raúl Castro tem sido o braço direito de seu irmão desde a revolução de 1959.

O general estava governando Cuba interinamente desde que Fidel se afastou do poder, há 19 meses, por uma doença não revelada que o obrigou a renunciar na última terça-feira, pondo fim a uma era de quase meio século.

Raúl, menos carismático porém mais pragmático que o irmão, prometeu melhorar a deteriorada qualidade de vida dos 11 milhões de cubanos, mas sem renegar o socialismo que ajudou a erguer a apenas 145 quilômetros de seu inimigo Estados Unidos.

"Temos registrado as declarações ofensivas e a ingerência aberta do império (EUA) e de alguns de seus mais próximos aliados", disse Raúl ao Parlamento.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu uma "abertura democrática" após a renúncia de Fidel Castro.

A decisão de Raúl de promover um debate para diagnosticar os problemas de Cuba parecem ter despertado em muitos esperanças de mudanças econômicas graduais.

Sua lista de tarefas pendentes inclui reanimar a economia para reduzir a brecha entre salários e preços e ressuscitar a agricultura para garantir mais comida na mesa dos cubanos

Reportagem adicional de Rosa Tania Valdés em Havana e Arshad Mohammed em Washington

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