February 24, 2008 / 11:44 PM / 9 years ago

Mudança do poder em Cuba é recebida com indiferença em Miami

4 Min, DE LEITURA

Por Jim Loney

MIAMI (Reuters) - Há 20 anos, notícias de que Fidel Castro tinha sido substituído como presidente de Cuba teriam causado tremendas comemorações na comunidade de cubanos exilados em Miami e uma preparação febril de retorno à pátria deixada para trás.

Mas Little Havana recebeu a transferência de poder para o irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, no domingo, com indiferença e bocejos.

"Castro continuará a ter o poder. Cuba continuará a ser a mesma e ninguém terá liberdade", disse Eduardo Migueltorena, um corretor imobiliário que chegou à Flórida no êxodo de Mariel, em 1980.

Não havia televisões ou rádios sintonizados nos noticiários nos populares restaurantes Versailles ou La Carreta, frequentados pela comunidade cubano-americana de 650 mil pessoas em Miami.

E não houve demonstrações nas ruas como em 2006, quando Fidel passou o poder temporariamente a seu irmão em razão da doença.

Mesmo a surpreendente indicação de José Ramón Machado Ventura, um ideólogo comunista e revolucionário da velha guarda, como o segundo no comando de Cuba, foi tratada com desinteresse.

"Sob o governo de Castro, não importa quem é o segundo. Talvez eles estivessem com medo de que se mudassem muito iriam perder poder", disse o comerciante Juan Fiol, 66, que deixou Cuba em 1961, encolhendo os ombros.

Quartel-general da oposição a Fidel Castro e seu governo comunista, Little Havana é há muito tempo a casa dos primeiros exilados que deixaram Cuba depois da revolução de 1959, e agora, de seus filhos e netos.

Muitos dos primeiros que chegaram pensavam que Castro seria deposto e que eles voltariam logo a Cuba. Quase meio século depois, eles ainda estão olhando melancolicamente para o outro lado do estreito da Flórida.

"Desde o primeiro dia eu tenho esperado por esse dia, aguardado ansiosamente esse dia", disse Jaime de Hombre, 69, que chegou a Miami em 1959. "É decepcionante. Eu gostaria de vê-lo (Fidel Castro) sofrer."

"Melhor se Castro morrer", acrescentou sua mulher, Glória.

Como Fidel sobreviveu a muitos na velha geração de exilados, a paixão esmaeceu entre os cubanos de Miami e para alguns o desejo de retornar à ilha desapareceu, já que criaram raízes mais profundas em Miami, 320 quilômetros ao norte da ilha.

"Nós estamos aqui. Estamos ficando", disse Victória, 76, que deixou Cuba em 1959. "O que nós vamos fazer? Nossos filhos estão aqui, nossos netos estão aqui."

"Talvez 15 anos atrás poderíamos voltar. Mas agora não. É muito tarde", disse sua amiga Maggie, que chegou em 1961.

Para a geração mais jovem de cubanos, Miami 'e sua casa.

"Eu sou americano. É isso que sou", disse Rick Wong, 49, cuja família mudou para os Estados Unidos em 1963. "As crianças estão aqui há muito tempo, elas são americanas."

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below