Mudança do poder em Cuba é recebida com indiferença em Miami

domingo, 24 de fevereiro de 2008 20:43 BRT
 

Por Jim Loney

MIAMI (Reuters) - Há 20 anos, notícias de que Fidel Castro tinha sido substituído como presidente de Cuba teriam causado tremendas comemorações na comunidade de cubanos exilados em Miami e uma preparação febril de retorno à pátria deixada para trás.

Mas Little Havana recebeu a transferência de poder para o irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, no domingo, com indiferença e bocejos.

"Castro continuará a ter o poder. Cuba continuará a ser a mesma e ninguém terá liberdade", disse Eduardo Migueltorena, um corretor imobiliário que chegou à Flórida no êxodo de Mariel, em 1980.

Não havia televisões ou rádios sintonizados nos noticiários nos populares restaurantes Versailles ou La Carreta, frequentados pela comunidade cubano-americana de 650 mil pessoas em Miami.

E não houve demonstrações nas ruas como em 2006, quando Fidel passou o poder temporariamente a seu irmão em razão da doença.

Mesmo a surpreendente indicação de José Ramón Machado Ventura, um ideólogo comunista e revolucionário da velha guarda, como o segundo no comando de Cuba, foi tratada com desinteresse.

"Sob o governo de Castro, não importa quem é o segundo. Talvez eles estivessem com medo de que se mudassem muito iriam perder poder", disse o comerciante Juan Fiol, 66, que deixou Cuba em 1961, encolhendo os ombros.

Quartel-general da oposição a Fidel Castro e seu governo comunista, Little Havana é há muito tempo a casa dos primeiros exilados que deixaram Cuba depois da revolução de 1959, e agora, de seus filhos e netos.   Continuação...