Dólar cai 2,14% e termina semana de crise comportado

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 16:37 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu 2,14 por cento nesta quinta-feira, para 1,786 real, e encerrou uma semana de crise internacional e intensa volatilidade na mesma cotação em que a começou.

O motivo para a forte queda desta quinta-feira, após a alta de 1,78 por cento na véspera, foi a recuperação esboçada pelos mercados internacionais. As bolsas subiram com a esperança de que os esforços do governo norte-americano e do Federal Reserve possam evitar o agravamento da crise nos Estados Unidos.

A reação já começou na quarta-feira, com a notícia sobre um possível plano de socorro a seguradoras de bônus nos Estados Unidos. Como o mercado brasileiro já estava fechando, no entanto, ele só pôde acompanhar a melhora nesta quinta-feira.

O dólar não reagiu sozinho no país à melhora externa. A Bovespa chegou a subir quase 6 por cento, e o risco Brasil despencava 26 pontos-básicos à tarde.

Segundo analistas, a retirada de recursos da bolsa paulista e o aumento da aversão ao risco entre os estrangeiros em meio à crise vinham sendo as principais responsáveis pela alta do dólar em dias tensos. Mas, ao contrário das últimas crises, não houve disparada do dólar.

As reservas internacionais do Brasil superam 187 bilhões de dólares, e "por isso não há nervosismo no cenário do câmbio", disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora. A volatilidade vivida pela taxa de câmbio apenas "reflete o natural movimento do mercado flutuante", acrescentou.

Na sexta-feira, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e muitas tesourarias bancárias fecham em comemoração ao aniversário de São Paulo --adiando para segunda-feira a próxima sessão normal no mercado de câmbio.

O Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista no final da sessão, com pouca influência sobre a variação da taxa de câmbio. A autoridade monetária definiu corte a 1,7879 real e aceitou, segundo operadores, ao menos uma proposta.

(Edição de Vanessa Stelzer)