Governo colocará PF e Exército para combater desmatamento

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 18:18 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - Um dia após revelar um aumento expressivo na taxa de desmatamento da Amazônia nos últimos meses, o governo federal anunciou nesta quinta-feira uma série de medidas para conter a devastação da floresta. Entre elas, a intensificação dos trabalhos da Polícia Federal e a participação do Exército no combate ao desmatamento.

Após reunião extraordinária convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com integrantes de vários ministérios, as medidas, que também prevêem o fim do financiamento por órgãos públicos de atividades que levem ao desmatamento, foram anunciadas em conjunto pelos ministros Tarso Genro (Justiça), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Marina Silva (Meio Ambiente).

Também estão entre as medidas a fiscalização de propriedades rurais em 36 cidades consideradas críticas, que serão nomeadas em portaria a ser publicada na sexta-feira. Foi determinado ainda o controle da atividade agropecuária na região e a criação de uma área de preservação no entorno da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus.

"O objetivo é estruturar mecanismos institucionais para impedir o desmatamento", disse Genro, que também anunciou que a Polícia Federal deve iniciar no próximo dia 21 uma operação de combate ao desmatamento na região amazônica.

Fazendo coro com Genro, que apontou a questão ambiental como "prioridade" do governo federal, Marina disse que o trabalho de combate à devastação da floresta está sendo feito em coordenação entre 13 ministérios e voltou a apontar a recente alta nos preços das commodities como um dos fatores de aumento no desmatamento.

"O que falta é um modelo de desenvolvimento no Brasil que viabilize desenvolvimento com equilíbrio ambiental", disse a ministra.

"Não tem problema plantar grãos no Brasil, porque os grãos podem ser plantados com sustentabilidade, mas não se pode negar que houve um aumento no desmatamento nos últimos meses. Algo novo está acontecendo e medidas novas precisam ser tomadas", justificou. Já o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, expressou apoio pelas medidas, mas negou que a ampliação da área plantada seja responsável pela destruição da Amazônia.

"Conceitualmente o ministério da Agricultura está totalmente integrado com os demais ministérios para combater o desmatamento. Sobre o ponto de vista agrícola, não há necessidade de aumentar o desmatamento para aumentar a produção de soja e carne no país", disse.

Na quarta-feira, o governo federal anunciou que o desmatamento na Amazônia saltou de 234 quilômetros quadrados em agosto do ano passado para 948 quilômetros quadrados em dezembro.

Somente entre agosto e dezembro foram devastados 3.235 quilômetros quadrados de floresta, número que deve pular para 7 mil quilômetros quadrados quando as imagens de um satélite com maior capacidade de resolução forem analisadas.