JURO-DIs mais curtos sobem com nova Selic, mas taxas longas caem

quinta-feira, 24 de julho de 2008 11:05 BRT
 

SÃO PAULO, 24 de julho (Reuters) - As projeções mais curtas de juros registravam forte alta nesta quinta-feira, refletindo a decisão do Banco Central de intensificar o aperto monetário para enfrentar as pressões inflacionárias.

Às 11h, o DI outubro de 2008, o mais negociado neste pregão e que embute a expectativa para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), avançava de 12,92 para 13,08 por cento ao ano.

O DI janeiro de 2009, o segundo mais procurado nesta sessão, subia de 13,52 por cento para 13,72 por cento.

"Os juros mais curtos estão se ajustando a esse novo aumento. O mercado já precifica uma nova alta de 0,75 (ponto)" na reunião de setembro, afirmou Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

Na quarta-feira, o BC decidiu acelerar o aperto monetário com uma alta de 0,75 ponto percentual da Selic, para 13,0 por cento ao ano.

A ponta mais longa da curva de juros, no entanto, exibia tendência de queda. Para o mercado, a alta mais rápida da Selic deve tornar desnecessário um ciclo mais longo de aumento do juro.

O DI janeiro de 2010 recuava de 14,91 para 14,87 por cento ao ano.

Segundo Nobrega, os sinais recentes de enfraquecimento da inflação também favorecem o alívio nas projeções mais longas. "Os DIs mais longos tendem a se estabilizar ou ceder um pouco mais."

Considerado uma prévia da inflação oficial de julho, o IPCA-15 deste mês já mostrou desaceleração maior que a esperada. Segundo o Instituto Brsasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida por esse índice foi de 0,63 por cento, ante 0,90 por cento em junho.

O Banco Central já usou a nova Selic como referência para as operações no mercado aberto. Ao todo, foram recolhidos 226,2 bilhões de reais do sistema bancário, em três operações.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Daniela Machado)