Eletrobrás diz que solução para Itaipu pode passar por Tesouro

quinta-feira, 24 de abril de 2008 18:00 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Do ponto de vista empresarial, o preço pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia da usina hidrelétrica de Itaipu é justo e se houver alteração no Tratado entre os dois países será pela via governamental, com eventual ajuda do Tesouro, afirmou o presidente da Eletrobrás nesta quinta-feira.

A polêmica sobre alterações no Tratado assinado em 1973 entre o Brasil e o Paraguai para construção da usina é recorrente e surgiu novamente durante a campanha do presidente recém-eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que pretende elevar a tarifa paga pelo Brasil relativa à energia não aproveitada pelo país vizinho.

O Brasil paga ao Paraguai cerca de 43 dólares o megawatt hora gerado por Itaipu, ou cerca de 72 reais. No Brasil, o preço da energia está girando em torno dos 100 reais o megawatt hora. O Brasil financiou a obra e parte desse pagamento é usado para amortizar a dívida do Paraguai, o que está previsto para ser feito até 2023.

Para José Antonio Muniz Lopes, há pouco mais de um mês no cargo, se o governo decidir alterar o Tratado, a matéria deverá ser avaliada pelos Congressos dos dois países e eventuais compensações financeiras não deverão passar pelo caixa da empresa, para evitar prejuízo aos sócios privados da Eltrobrás.

"Nenhuma solução será adotada que leve a criar problema do lado privado (acionistas), tem que resolver como governo, tem como intercambiar com o Tesouro", disse Lopes a jornalistas após almoço-palestra no Clube de Engenharia.

Ele lembrou que em 1993 o governo injetou 26 bilhões de dólares no grupo Eletrobrás para terminar com a equalização das tarifas no país.

Empenhado em construir a "nova Eletrobrás", que conseguiu este ano liberação para atuar com parceiros no Brasil e no exterior, e programando para breve a entrada no nível 2 dos seus American Depositarys Receipts na Bolsa de Nova York, e já pensando no nível 3, Lopes garantiu que novas hidrelétricas binacionais serão construídas, mesmo com os problemas enfrentados pelo Brasil com seus vizinhos.

"A que está mais adiantada é com a Argentina, mas queremos fazer no Peru, Venezuela, Bolívia...", afirmou o executivo.

Presente no evento, o ex-presidente interino da Eletrobrás e atual diretor da holding Valter Cardeal explicou que um inventário feito em rios da fronteira entre Brasil e Argentina apontaram para um potencial energético de 6 mil megawatts, mas que a primeira usina deverá girar em torno dos 800 a 1.000 megawatts.