24 de Março de 2008 / às 16:26 / em 10 anos

CONSOLIDA-Conta corrente tem déficit recorde e BC piora projeção

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 24 de março (Reuters) - O forte crescimento das importações levou o Brasil a registrar em fevereiro déficit em transações correntes recorde para o mês. Diante dos resultados recentes, o Banco Central elevou sua estimativa de déficit no ano de 3,5 bilhões para 12 bilhões de dólares.

Em fevereiro, o déficit em conta corrente foi de 2,09 bilhões de dólares, frente a um superávit de 376 milhões de dólares no mesmo período do ano passado.

O déficit ficou um pouco abaixo do projetado por analistas ouvidos pela Reuters, que apostavam em saldo negativo de 2,2 bilhões de dólares, mas superou a estimativa do BC de 1,7 bilhão de dólares.

Isso se deu “principalmente por força do comportamento do comércio”, afirmou a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. “O crescimento da importação foi mais forte do que a gente esperava.”

Ele acrescentou que a tendência para os próximos meses é de “suavização” no comportamento das importações e, consequentemente, no resultado sobre as transações correntes.

Lopes argumentou que, no primeiro bimestre do ano, houve uma concentração de importação de alguns produtos, como petróleo.

INVESTIMENTOS

Em 12 meses até fevereiro, o déficit em transações correntes corresponde a 0,37 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante déficit de 0,18 por cento do PIB até janeiro.

“Nós estamos financiando esse déficit com investimento estrangeiro direto e empréstimos de médio e longo prazos”, afirmou Lopes.

Os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 890 milhões de dólares em fevereiro, frente a 1,378 bilhão de dólares em igual mês de 2007.

O resultado superou a estimativa de 200 milhões de dólares feita pelo BC --que elevou sua projeção oficial de investimentos no ano todo para 32 bilhões de dólares.

Em fevereiro, a taxa de rolagem dos empréstimos privados ficou em 156 por cento. Em março, até o dia 24, a taxa é de 354 por cento.

Esse desempenho, segundo Lopes, reflete o fato de as empresas exportadoras estarem conseguindo captar recursos “com certa facilidade”, apesar das turbulências externas.

CRISE

A crise nos mercados internacionais levou o BC a reduzir sua projeção de investimentos estrangeiros em títulos domésticos de longo prazo e ações para 12 bilhões de dólares, ante estimativa anterior de 26 bilhões de dólares.

Lopes afirmou que a redução drástica reflete principalmente o fato de não estarem ocorrendo IPOs --ofertas iniciais de ações-- no mercado de ações brasileiros este ano por causa das turbulências externas.

A estimativa conservadora também ocorre a despeito de, em março, até o dia 24, esses investimentos terem somado 6,7 bilhões de dólares, frente a 2,766 bilhões de dólares em fevereiro.

A projeção do BC para as remessas líquidas de lucros e dividendas por empresas instaladas no país foi elevada de 20 bilhões para 24 bilhões de dólares. Em fevereiro, essas remessas somaram 1,293 bilhão de dólares.

Edição de Daniela Machado

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