25 de Março de 2008 / às 19:01 / 9 anos atrás

Um ano depois, Unicel ainda busca investidores para operar em SP

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Um ano depois de ter sua documentação habilitada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Unicel, candidata a se tornar a quarta operadora celular no Estado de São Paulo, ainda não viabilizou sua estréia no mercado.

Uma fonte ligada à empresa, que prefere se manter no anonimato, disse que ela continua em negociações para buscar um investidor e que “espera ter alguma novidade em 10 dias ou duas semanas”, afirmou a fonte.

A companhia, que se negou a dar entrevistas, mantém um site na Internet “em construção” e não tem endereço físico conhecido. A empresa surgiu no mercado como única candidata em um leilão realizado em fevereiro do ano passado pela Anatel.

Na época, executivos deram entrevistas afirmando que a empresa seria “a Gol da telefonia celular” com uma estratégia baseada em baixos custos para oferecer tarifas até 40 por cento menores que as da concorrência.

A companhia foi criada pelo executivo americano Edward Jordan, que informou ter obtido os recursos para a operação junto a outros investidores norte-americanos. Para começar sua operação em 63 municípios de São Paulo, a Unicel divulgou que iria aplicar cerca de 150 milhões de dólares no primeiro ano de operação.

Para adquirir a licença em São Paulo, a companhia pagou 10 por cento dos 93,3 milhões de reais exigidos pelo governo e tem carência de três anos para começar a quitar o restante. Pelo contrato, os serviços devem passar a ser oferecidos ao público 12 meses depois.

Procurada, a Anatel informou, através de sua assessoria de imprensa, que o prazo de 12 meses para que a Unicel comece a operar passa a contar a partir da assinatura do termo de uso da frequência, o que foi feito em 13 de julho do ano passado.

Caso isso não aconteça em julho deste ano, a agência reguladora irá abrir um procedimento de investigação por descumprimento de obrigações, conhecido na agência como “Pado”. O procedimento pode culminar com eventual devolução da licença pela operadora. De qualquer forma, a assessoria de imprensa da Anatel informa que a Unicel tem feito pedidos para que o órgão homologue equipamentos, um sinal de que ela poderia estar preparando a estréia.

A agência também lembra que a nova operadora pode alugar rede de terceiros para iniciar a oferta de serviços, caso opte por não ter rede própria. Porém, para começar uma operação de telefonia em quatro meses, a companhia já precisaria ter acertado o aluguel de uma rede ou a contratação de uma nova, além de ter contratado sistemas de bilhetagem e a central de atendimento aos clientes, além de preparar uma estratégia de marketing.

Fornecedores de equipamentos procurados pela Reuters e que pediram para não serem identificados afirmam que a companhia não contratou até o momento nenhuma estação radiobase para uma rede própria.

ENTRAVES

O analista Eduardo Roche, do Banco Modal, diz que a demora é sintomática do perfil da empresa para competir em um mercado como esse. “Dificilmente ela vai ser uma empresa de porte para uma competição desse tipo”, disse ele. “Quem vai chegar para mexer com o mercado é a Oi ”, que adquiriu licenças depois da Unicel e se prepara para estrear no segundo semestre. A companhia atua em 16 Estados, mas São Paulo é uma das lacunas em sua cobertura atual.

“Até pela demora para chegar a São Paulo, a Oi vai chegar com marketing pesado e muito capital para investir”, mas a Unicel, por outro lado, “tentou se diferenciar em termos de oferta, mas nunca ameaçou”, disse Roche.

Ele lembra que “escala nesse mercado é significativo e que investimento é uma questão delicada”, já que se trata de um setor de necessidade intensiva de capital.

Um especialista em telecomunicações que preferiu não se identificar ainda lembrou que, “com a entrada da Oi em São Paulo, a Unicel perdeu a janela de oportunidade”, já que o mercado ficaria restrito demais para cinco operadoras, situação que não existia quando ela comprou as licenças. No início de 2007, operavam em São Paulo Vivo, TIM e Claro.

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