24 de Junho de 2008 / às 20:51 / em 9 anos

Exploração de áreas de petróleo impulsiona indústria naval

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A política do governo brasileiro de privilegiar estaleiros locais, aliada aos programas agressivos de exploração das novas áreas de petróleo e gás, está dando grande fôlego para o desenvolvimento da indústria naval brasileira.

O setor tem atraído investidores locais e do exterior e se prepara para testar esta semana, durante a feira Navalshore 2008, o impacto do aumento de encomendas no país e os possíveis novos estaleiros que serão construídos para atender essa demanda.

Até mesmo os experientes coreanos, segundo maiores produtores de navios do mundo, vão aportar pela primeira vez na feira que terá ainda suecos, noruegueses e alemãs entre os participantes. A área vendida foi 10 por cento superior à do ano anterior e mais 15 empresas estarão presentes, no total de 130.

“Esse ano teremos participação de empresas estrangeiras que estão vindo para sentir o mercado e prospectar oportunidades. No caso dos coreanos, são produtores de peças de navio que não têm mais espaço por lá, querem construir aqui para a Transpetro e exportar também”, afirmou a diretora da revista Portos e Navios, Rosângela Vieira, organizadora do evento.

De Eike Batista ao governo da Bahia, ninguém quer ficar de fora de um negócio que no mínimo contará com os já anunciados 100 bilhões de dólares nos próximos 10 anos em encomendas da Petrobras, entre navios, plataformas e sondas.

No final de maio, a estatal anunciou a encomenda de 23 navios petroleiros, além dos 26 que já haviam sido contratados, e mais 146 navios de apoio e 40 sondas.

A Petrobras pretende explorar as reservas gigantes da região pré-sal, uma área que se estende por 800 quilômetros em águas ultraprofundas do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina, utilizando o máximo de conteúdo nacional possível em seus equipamentos, como determinou o governo brasileiro.

Também visando consumo próprio, o dono da OGX, Eike Batista, pretende construir dois estaleiros para fabricar os equipamentos que serão usados na exploração de áreas adquiridas na nona rodada de petróleo do governo, no ano passado. O empresário disse recentemente que deverá fazer parceria com a norte-americana Dynamics e a dinamarquesa Maersk.

“Ele está olhando três locais e deve fechar com as empresas um no Sul e outro no Sudeste”, disse uma fonte próxima da negociação.

Inscrito de última hora no Navalshore, o governo do Estado da Bahia também já manifestou interesse em atrair estaleiros para o Estado. A construtora OAS é uma das candidatas em parceria com o grupo Setal, assim como a GDK e a Engevix, todas ligadas ao setor de construção.

Outras construtoras como Odebrecht, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão também estão investindo na área e já anunciaram empreendimentos, sendo estas duas últimas parceiras no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, e a primeira afirmou ter intenção de fazer um ou mais estaleiros, mas sem definir o local.

NO PAPEL

Outros estaleiros estão previstos para o Espírito Santo e Maranhão, mas, de acordo com o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação da Indústria Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, nenhum ainda saiu do papel.

“Hoje temos 25 estaleiros no país, sendo que dois estão ainda sendo construídos, um no Rio Grande Sul, pela WTorre, o Rio Grande, e outro em Suape, em Pernambuco, o Estaleiro Atlântico Sul”, informou.

De acordo com o Sinaval, nos próximos oito anos os estaleiros brasileiros vão construir 335 empreendimentos (entre navios, navios de apoio, plataformas e sondas) e consumir mais de 500 mil toneladas de aço.

“Pela avaliação das obras existentes, com a capacidade atual dos estaleiros já seria possível (atender o aumento de demanda), cada estaleiro faria 13 navios em oito anos, não é uma coisa tão pesada”, afirmou.

O Sinaval vai levar para a quinta edição do Navalshore debates que, segundo Rocha, estão mexendo com a indústria. O primeiro seria a intenção do Ministério dos Transportes de aumentar de 13 para 29 por cento o modal do transporte aquaviário, aliviando as rodovias. Também a discussão sobre as metas do PAC em relação ao aumento da demanda na área de petróleo serão avaliadas e a questão da mão-de-obra, considerada o calcanhar de Aquiles do setor.

Hoje os estaleiros empregam 40 mil trabalhadores e a partir de 2009 as encomendas feitas pela Petrobras vão obrigar a contratação de pelo menos mais 22 mil pessoas, segundo o Sinaval. Para tentar reduzir o problema, o sindicato se reúne com universidades no segundo dia da feira, que vai de 25 a 27 de junho, no Rio de Janeiro, para debater uma forma de acelerar a formação de pessoal.

“É preciso diminuir o tempo de entrega desse pessoal, queremos saber o que é preciso fazer para treinar enquanto ainda se está na universidade, como fazer em três anos o que se faz em seis”, explicou Rocha.

Edição de Marcelo Teixeira

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