Para ex-diretor do BC, efeito de crise no Brasil ainda é incerto

segunda-feira, 24 de março de 2008 16:48 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 24 de março (Reuters) - A crise global de crédito provocará uma recessão nos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano que terá reflexos na Europa e no Japão, mas o impacto sobre o Brasil ainda é incerto e dependerá dos efeitos sobre a demanda chinesa por commodities, afirmou nesta segunda-feira o ex-diretor do Banco Central Ilan Goldfajn.

Segundo ele, o Federal Reserve conseguiu salvar o sistema financeiro da insolvência, por meio da redução dos juros e de empréstimos a bancos e corretoras, mas dificilmente poderá deter uma recessão.

"Meus estudos mostram que os EUA estão em recessão e terão dois trimestres (de crescimento) negativo", disse o ex-diretor do BC, atualmente na Ciano Investimentos.

Goldfajn acrescentou que a desaceleração da economia norte-americana pode ser mais "longa do que se pensava e talvez o PIB fique perto de zero no segundo semestre".

Dados da Ciano Investimentos apontam que uma redução de um ponto percentual no PIB dos EUA provocaria uma queda de 0,22 ponto no crescimento da zona do euro e de 0,5 ponto percentual no PIB do Japão.

"A desaceleração dos EUA terá impacto no Japão e na União Européia e, se se mostrar mais duradoura pode atingir a China", frisou o economista.

"Se isso acontecer, haverá impacto sobre as commmodities e sobre os demais emergentes", acrescentou ele, ao destacar que o Brasil seria impactado indiretamente pela menor demanda da China por matéria-primas.

O ex-diretor do BC avaliou também que a alta recente das commodities foi alavancada por um movimento especulativo de investidores que migraram do mercado financeiro em busca de maior rentabilidade. Ele aposta em uma desaceleração no preço das commodities nos próximos meses, porém acredita que se manterão em um nível ainda elevado.

(Por Rodrigo Viga Gaier; Edição de Daniela Machado)